FISCALIZAÇÃO

Operação combate venda de cerol em São Vicente em semana de acidente fatal

Ação percorreu bairros na segunda-feira (13) para orientar e apreender. Na quarta (8), um jovem de 21 anos perdeu a vida na rodovia dos Imigrantes

Linhas de pipa e motocicleta de vítima do acidente causado por linha com cerol
Força-tarefa vistoriou estabelecimentos para recolher materiais cortantes e orientar moradores - Divulgação/Prefeitura de São Vicente e reprodução/Artesp


A prefeitura de São Vicente, litoral de São Paulo, intensificou o combate à venda e ao uso de linhas cortantes com a operação Fim da Linha, executada na segunda-feira (13). A mobilização, justificada pelo poder público devido ao período de férias escolares, coincide com o luto no trânsito da cidade: na quarta-feira (8), um jovem de 21 anos perdeu a vida ao ter o pescoço cortado por cerol na rodovia dos Imigrantes.

Segundo a administração municipal, a força-tarefa percorreu os bairros Vila Margarida e Jóquei Clube para confiscar materiais irregulares e instruir comerciantes e moradores. A ação reuniu agentes das Secretarias de Defesa e Organização Social (Sedos) e de Comércio, Indústria e Negócios Portuários (Secinp), com o apoio da Guarda Civil Municipal (GCM), da Polícia Militar (PM) e do Procon.

O secretário da Secinp, Fernando Paulino, destacou a necessidade de agir na fonte do problema. "Ações como essa são fundamentais para preservar vidas. Além da fiscalização, é essencial que as famílias também orientem crianças e adolescentes. Como poder público, temos o dever de intensificar esse trabalho para coibir a comercialização desses materiais na cidade", afirmou.



Para o titular da Sedos, Silvio Damaceno, o trabalho educativo caminha ao lado da punição.

Nosso compromisso é proteger a população, evitar novas tragédias e conscientizar a sociedade de que empinar pipa é uma brincadeira saudável, mas o uso de cerol e de linhas cortantes é proibido por lei, coloca vidas em risco e não será tolerado", ressaltou.

A legislação veda a comercialização, o porte e a distribuição de cerol e linha chilena. O descumprimento gera multas e pode resultar na cassação da licença do estabelecimento comercial. A prefeitura recebe denúncias de vendas clandestinas por meio do telefone 153.

Acidente fatal

O reforço na fiscalização dialoga diretamente com o cenário recente do município. O motociclista Matheus da Silva Evangelista, de 21 anos, morreu na tarde de quarta-feira (8), no quilômetro 67 da rodovia dos Imigrantes, na altura do bairro Esplanada dos Barreiros.



Segundo a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), uma linha com cerol atravessava a pista no sentido capital. O objeto cortante atingiu o rapaz, que perdeu o controle da direção e caiu de forma violenta no acostamento.

O Corpo de Bombeiros tentou reanimar a vítima no local, mas o óbito foi confirmado no pronto-socorro central. No dia seguinte, dezenas de motociclistas fecharam a faixa 2 da rodovia por 12 minutos para soltar fogos de artifício e homenagear o colega.

Como se proteger

No estado de São Paulo, a Lei nº 17.201/2019 pune pessoas físicas flagradas com cerol ou linha chilena com multa de 50 Unidades Fiscais do Estado de São Paulo (Ufesps). Quando o infrator é menor de idade, os pais ou responsáveis assumem a penalidade.



Para tentar barrar o perigo nas vias, especialistas e autoridades de trânsito recomendam a instalação de antenas corta-pipa no guidão das motocicletas. O equipamento de segurança capta e rompe o fio cortante antes do contato físico com o rosto, o pescoço ou o tórax do piloto.

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