
*Foto: Marina Aguiar
Por Marina Aguiar
O depoimento do motorista envolvido no acidente que matou 18 pessoas, na noite de quarta-feira, 8, foi colhido na tarde de sexta-feira, 10. César Donizetti Vieira teve sei veículo atingido pelo ônibus pouco antes do capotamento e relatou que o veículo estava em alta velocidade quando tombou no km 84 da rodovia Mogi-Bertioga. Um suposto abaixo-assinado também foi encontrado entre os pertences das vítimas na manhã do mesmo dia. O papel não possui assinaturas, nem o nome do condutor, mas indica que os estudantes não estavam contentes com o excesso de velocidade de um motorista.
O papel está em apuração pela Polícia Civil e continha reclamações de estudantes endereçadas à secretária de Educação de São Sebastião Maria Zeneide Nunes da Silva Moraes. Os estudantes apontavam que um motorista colocava em risco a integridade das pessoas no ônibus, realizando manobras ilegais; e que ele não esperava os alunos atrasados, como no dia em que deixou para trás
uma aluna que estava doente e tinha sido atendida em um hospital.
Por meio de nota, a prefeitura esclareceu que não há documento algum protocolado na pasta; e que "o procedimento normal em casos de reclamações ou denúncias é o protocolo do documento na própria secretaria. Nesse caso específico, que trata de transporte escolar, o mesmo é encaminhado à Comissão dos Transportes para averiguação da veracidade do fato. Caso constatada e confirmada, a denúncia segue para a secretária para que as devidas providências sejam adotadas”. Sobre o abaixo-assinado divulgado, a informação da Secretaria é que o documento não foi protocolado no setor.
A testemunha César Donizetti Vieira chegou para depor no período da tarde e descreveu o episódio como assustador. Ele é morador de Bertioga e trabalha como gerente de uma loja de material para construção em Juquehy. "Eu estava voltando pra casa a 60km/h e o motorista bateu na lateral do meu carro em uma curva. É possível que ele tenha me usado como escora pra evitar o abismo e bater na parede. Eu consegui controlar o carro, graças a Deus".
O gerente explicou que sua irmã e sua mulher entraram em desespero quando viram o ônibus capotar, mas estavam com o celular descarregado e não puderam chamar por socorro, parando somente na Polícia Rodoviária, no km 98 da rodovia. Apesar da alta velocidade do veículo, Vieira não acredita que o motorista tenha acelerado propositalmente. "Eu acompanhei esse motorista em Mogi, é uma pessoa que sabe dirigir bem. Não ia fazer uma loucura dessa, ultrapassar numa curva daquela, com consciência, não".
De acordo com o delegado de Bertioga, Fábio Pierre, é provável que o motorista tenha perdido o controle, antes de bater em uma pedra e capotar. A causa só poderá ser apontada pela perícia, que trabalha com dificuldade devido às condições do veículo.
O ônibus era um dos seis veículos disponibilizados pela prefeitura de São Sebastião para o transporte de estudantes da cidade para universidades de Mogi das Cruzes: Universidade Mogi das Cruzes (UMC) e Universidade Brás Cubas (UBC). No acidente, 18 pessoas, entre motorista e estudantes, morreram. Dos 20 feridos levados para hospitais da região, nove permanecem internados.