
*Foto: Ciéte Silvério
Por Marina Aguiar
Marcelo Gomes de Araújo foi vítima de assalto, na última quinta-feira, 5, no Indaiá. O empresário tirava o carro da garagem para jantar com a família, por volta das 20 horas, quando foi abordado por dois indivíduos no portão de sua casa. Os bandidos, armados e sem máscaras, levaram Marcelo, sua mulher e dois filhos para dentro da residência e ameaçaram toda a família de morte.
Ele conta: "Foram 20 minutos de terrorismo. Eles pegaram todos os eletrônicos e dinheiro, mas sempre pediam mais. Foi aterrorizante, não desejo para ninguém". Os bandidos roubaram um televisor, um videogame, um computador e dois celulares; e utilizaram o carro da vítima para transportar os produtos. O veículo foi encontrado no mesmo dia no bairro Chácaras.
Após o assalto, a família foi socorrida por vizinhos. A polícia militar demorou cerca de 20 minutos para chegar ao local. "Apesar da demora, o cabo Júnior foi muito atencioso conosco. Naquela hora, eu e minha família nos sentimos seguros novamente", declarou. Marcelo ainda informou que existem poucas viaturas para atender toda a cidade. "Até os policiais estão pedindo socorro".
Contatado, o comandante da 3ª Cia. da PM, capitão Sidney Antonio dos Santos, confirmou que a equipe está trabalhando com um número reduzido de viaturas. "Muitos veículos estão parados em manutenção, portanto, estamos trabalhando com apenas quatro carros e quatro motos. Isso retarda o atendimento. Dependemos de recursos estaduais para realizar a manutenção dos veículos, e o comandante [do 21º BPMI] Rogério [Silva Pedro] está nos ajudando muito com isso".
A falta de viaturas traz outros problemas para a cidade. A patrulha nos bairros, por exemplo, acaba sendo reduzida. "Aqui [no Indaiá] dá medo até de andar na rua. Antigamente, entravam em casas vazias, hoje assaltam a mão armada", desabafou o aposentado Anselmo Ferrari, que foi vítima de furto. "Roubaram tudo da minha casa. Só não levaram geladeira, fogão e as camas. Não apareceu ninguém pra dar uma assistência pra gente".
O também aposentado Pedro Carlos Velar participa de todas as reuniões do Conselho de Segurança (Conseg) de Bertioga e ajudou a distribuir um panfleto com dicas de segurança para os moradores do Indaiá, como evitar andar com celular ou joias. "Mas não é o suficiente. Tem que ter policiamento pelo bairro. Tem que abordar todos os suspeitos. Acho que isso diminuiria os crimes", disse.
Sobre o panfleto, o recém-chegado à cidade Carlos de Morais reclama. "Acho que isso é uma inversão de valores. Dizem para a gente não ostentar, mas os bandidos andam de óculos de sol, corrente e celular. Enquanto isso, temos que ficar calados", lamentou o aposentado. Morais é morador de Bertioga há dois meses e já sofreu um assalto a mão armada na praia da Enseada, no Indaiá.