Ação da Polícia Militar resgatou as duas crianças em imóvel na praia do Perequê; Conselho Tutelar determinou o acolhimento institucional

Uma mulher de 23 anos foi contida pela Polícia Militar na tarde de domingo (19), no bairro Perequê, em Guarujá, litoral paulista. Ela mantinha os dois filhos trancados em casa e apresentava comportamento compatível com surto psicótico, com falas desconexas e instabilidade emocional.
Ação resultou no resgate de uma menina de 5 anos, portadora de transtorno do espectro autista (TEA), e de um menino de 1 ano e 10 meses, ambos feridos.
Segundo o boletim de ocorrência ao qual o Costa Norte teve acesso, ocorrência começou com a informação de que uma moradora agredia a filha na avenida Rio Amazonas. No endereço, as equipes constataram que a moradora permanecia trancada no imóvel com as crianças. Inicialmente, não foi possível visualizar os menores ou avaliar seu estado de saúde.
Diante da suspeita de que a mulher estivesse armada com uma faca, os policiais isolaram o perímetro e solicitaram apoio do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate). A negociação avançou com a chegada do companheiro da mulher, padrasto das crianças, que auxiliou na comunicação. Pelo vínculo familiar, a moradora abriu uma das janelas, permitindo o contato visual das equipes.
Em um momento de redução da tensão, os policiais utilizaram a chave fornecida pelo padrasto, abriram a porta de forma coordenada e resgataram os menores. Em seguida, com apoio de equipes do Samu, a moradora foi imobilizada e colocada em uma maca para passar por avaliação médica. Durante a ação, as equipes não visualizaram faca em posse da investigada.
As duas crianças e a mãe foram levadas para a UPA da Rodoviária. Na unidade de saúde, a médica pediatra constatou que a menina apresentava traumatismo na face, inchaço nos olhos, sangramento e diversas escoriações pelo corpo. O bebê sofreu um corte no dedo da mão esquerda. Ambos permaneceram internados em observação para exames complementares.
O Conselho Tutelar acompanhou a ocorrência e determinou a medida protetiva de acolhimento institucional, encaminhando os menores para a Casa de Passagem do Município de Guarujá.
Em depoimento e interrogatório na delegacia, a mulher apresentou versões confusas e contraditórias sobre a origem dos ferimentos das crianças, negando agressões diretas, segundo o boletim.
A Polícia Civil registrou o caso como lesão corporal e maus-tratos na Delegacia de Polícia do Guarujá. A autoridade policial requisitou periciais do Instituto de Criminalística (IC) no imóvel e exames de corpo de delito para as vítimas no Instituto Médico Legal (IML).
O delegado determinou diligências complementares para esclarecer a autoria e a dinâmica das agressões, bem como a apuração da condição psíquica da investigada, antes de eventual indiciamento.