Casal fugiu do pronto-socorro após confirmação da morte, na noite de segunda-feira (9); ambos foram encontrados em uma casa no bairro Glória

Um bebê de 11 meses morreu na noite de segunda-feira (9) após ser vítima de agressão em Praia Grande, no litoral de São Paulo.
Segundo o boletim de ocorrência, o bebê, que tinha hidrocefalia e desvio na coluna, deu entrada na unidade hospitalar com parada cardíaca e traumas no rosto.
A mãe, de 30 anos, e o padrasto, de 38, foram presos em flagrante, com conversão para prisão preventiva.
De acordo com o B.O., policiais militares foram acionados via Copom, por um funcionário do Pronto-Socorro Central, que informou que o bebê deu entrada na unidade com parada cardíaca e traumas no rosto (hematomas e sangramento), indo a óbito.
Após o atendimento médico, o casal fugiu da unidade. Em buscas, com o apoio do monitoramento municipal, ambos foram localizados na residência onde moravam, na rua Jorge Tavares Quintas, no bairro Glória.
Segundo o boletim de ocorrência, em entrevista informal, a mãe afirmou ter tomado um remédio de uso controlado e dado o mesmo ao bebê, alegando não se lembrar se agrediu ou não o filho. Já no depoimento oficial, ela disse que a criança estava agitada há três dias e, por isso, deu a ela um sedativo para dormir.
Na sequência, a mãe afirmou que bateu a cabeça do bebê ao colocá-lo no carrinho, após a criança ter "fechado a mão para bater no padrasto”, o que a fez perder o controle. Ela disse ter levado o bebê ao médico por “achá-lo estranho”. Disse ainda que estava sob efeito de um medicamento que tomava por conta própria para aliviar dores.

O padrasto relatou que o bebê chorava muito e que, por ser portador de hidrocefalia, passaria em breve por uma segunda cirurgia. Ele afirmou que foram ministrados “dez remédios” em um intervalo de sete horas, pois a criança não se acalmava. Segundo ele, a mãe falava: “Faz esse menino calar a boca, coloca a mão na boca dele”.
Ele admitiu ter colocado a mão na boca da criança, mas alegou ter retirado em seguida porque o bebê ficou sem ar. O homem disse ter sugerido levar a criança ao médico, mas a mãe insistiu que o filho iria dormir e se acalmar.
O padrasto afirmou ter visto a mulher desferir tapas no braço do filho, mas negou ter visto outras agressões por estar mexendo no celular.
Já no pronto-socorro, sua companheira teria lhe chamado e dito que “não aguentava mais ficar ali”; ele disse para ela conversar com a equipe médica e resolverem, “senão eles iriam atrás de nós”.
Segundo ele, a mãe lembrou que o posto não tinha seu telefone nem endereço; disse que retrucou que os dois deveriam se responsabilizar pelo ocorrido “porque ele morreu”, entretanto a mãe estaria com medo.
Uma pessoa afirmou presenciar brigas constantes do casal e gritos da mulher. Relatou também que o imóvel estava em situação precária de higiene, com lixo e presença de ratos. No dia do crime, ouviu gritos da mulher devido a agressões do companheiro.
O caso foi registrado como homicídio qualificado na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Praia Grande.