MORTE SUSPEITA

Bebê de 1 ano morre com suspeita de estupro e maus-tratos, em Guarujá

Vítima chegou sem vida à UPA Rodoviária; autoridade policial apontou dúvida sobre a causa exata, pediu exames ao IML, mas liberou investigados


Redação
Publicado em 27/05/2026, às 14h23

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Bebê de 1 ano morre com suspeita de estúpro e maus-tratos, em Guarujá
Polícia Militar foi acionada para morte suspeita na UPA Rodoviária - Imagem ilustrativa/SSP


A Polícia Civil investiga a morte suspeita de um bebê de um ano e dois meses, na madrugada de terça-feira (26), no Guarujá. Ele chegou sem vida à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Rodoviária, com marcas que levantaram suspeitas de maus-tratos e violência sexual.

De acordo com o boletim de ocorrência ao qual o Costa Norte teve acesso, o laudo médico preliminar apontou escoriações nos pulsos, lesões semelhantes a queimaduras na região das axilas e sinais de abuso sexual. A equipe médica aplicou manobras de reanimação por 35 minutos, mas constatou o óbito em seguida.

A Polícia Militar conduziu à delegacia a mãe do bebê, de 23 anos, e um homem de 52 anos, que a auxilia financeiramente e frequenta a residência.



O pai da criança, separado da mãe há cerca de nove dias, também prestou depoimento. Ele relatou que a ex-companheira era negligente e costumava deixar o filho sozinho, mas ressaltou que nunca havia presenciado agressões físicas, apenas gritos.

No entanto, ao ser informado pela polícia sobre as queimaduras e lesões encontradas no corpo do bebê na UPA, ele manifestou a suspeita de que a mãe e o amigo dela fossem os autores das agressões.

Depoimentos e histórico de saúde

A mãe negou qualquer agressão. Ela relatou que acordou durante a noite e encontrou o filho de bruços na cama, sem respirar, momento em que buscou socorro. Sobre as marcas, alegou que o ferimento no pulso ocorreu por um acidente doméstico com uma chapinha.



O homem de 52 anos confirmou que esteve na residência horas antes, mas negou qualquer ato de violência ou abuso, e afirmou que a criança parecia saudável.

Uma familiar indicou graves casos de negligência por parte da mãe; a antiga moradia dela seria severamente degradada, imprópria para a criança. Com a ajuda de outros familiares, teriam feito uma limpeza emergencial no local, onde teriam extraído cerca de quinze carrinhos de mão repletos de lixo acumulado, com a proliferação de roedores, ratazanas e baratas, piolhos e percevejos, ambiente em que o bebê engatinhava diretamente sobre a sujeira.

O histórico médico do menino aponta problemas graves de saúde anteriores. Segundo familiares, o bebê sofreu um princípio de infarto há cerca de dois meses, associado ao quadro de obesidade, além de ser diagnosticado com anemia. Segundo o BO, com apenas um ano, a criança tinha cerca de 13 quilos, em razão da ingestão inadequada de guloseimas e alimentos ultraprocessados fornecidos pela mãe.



Decisão da Polícia Civil

Pela complexidade do cenário, a autoridade policial decidiu não decretar a prisão em flagrante dos investigados. No documento, foi ressaltado que há "densa e intransponível dúvida razoável".

A justificativa é baseada na possibilidade dos sinais corporais terem origens diversas, desde crime (maus-tratos ou abuso) até causas naturais ligadas às doenças preexistentes do bebê. O delegado pontuou ainda que algumas alterações físicas podem ser reflexos pós-morte ou consequências mecânicas das intensas manobras de reanimação cardiopulmonar.

Para esclarecer a causa exata da morte, a Polícia Judiciária determinou a imediata liberação dos conduzidos e solicitou exames necroscópicos minuciosos ao Instituto Médico Legal (IML), incluindo coleta de material genético e verificação de violência sexual. A perícia também foi requisitada para a residência da família em busca de vestígios de sangue ou arrombamento.



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