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Adolescente põe fogo em apartamento para matar os irmãos pequenos, em Guarujá; entenda

Criança de 11 meses morreu e outra de 2 anos está internada; confira o depoimento da adolescente e um vídeo do apartamento

Adolescente põe fogo em apartamento para matar os irmãos pequenos, em Guarujá; entenda
Crime ocorreu em conjunto habitacional, no bairro Cantagalo - Reprodução/Guarujá Mil Grau


Uma adolescente de 14 anos ateou fogo no apartamento em que morava com a família, para matar os próprios irmãos pequenos, em Guarujá, no litoral paulista. A infratora alegou que estava insatisfeita em ter que cuidar das crianças, de 11 meses e 2 anos, enquanto a mãe saía para trabalhar. O crime ocorreu na tarde de segunda-feira (14), no bairro Cantagalo, em um conjunto habitacional.

O Costa Norte teve acesso ao boletim de ocorrência, no qual o síndico do conjunto habitacional, de 33 anos, relata que estava em seu próprio apartamento, quando foi avisado por moradores sobre um incêndio em outra moradia, no bloco 5. O síndico foi até o local e presenciou o momento em que populares arrombaram a porta do apartamento.

Enquanto outras pessoas tentavam arrombar a porta do quarto das crianças, que também estava trancada, o síndico foi à cozinha e fechou as bocas do fogão, que estavam vazando gás; ele ainda conseguiu abrir uma janela para arejar o ambiente, e foi ajudar os moradores a arrombar a porta do quarto.



Quando a porta foi aberta, havia muita fumaça, então o síndico saiu do local para conseguir respirar. Enquanto tomava fôlego nas escadarias, viu que um morador conseguiu tirar uma das crianças; era o menino de 2 anos, que foi encaminhado para o Hospital Santo Amaro (HSA).

O síndico ainda detalha que, neste momento, a mãe das vítimas estava presente, e disse que ainda havia mais uma criança no apartamento. Ele voltou ao local e viu um trabalhador do conjunto habitacional com a criança nos braços; era a pequena Isis Gabrielly Oliveira Silva, de 11 meses.

O funcionário que retirou Isis do apartamento é um eletricista, de 30 anos. Ele conta que entrou no quarto das crianças para verificar se não havia mais ninguém, quando viu uma criança de colo enrolada em um lençol. O eletricista resgatou a criança ainda viva, mas com respiração fraca. Ela a entregou para o síndico, que encaminhou Isis à UPA Enseada; ela não resistiu e morreu por inalação de fumaça.



Em nota, o Hospital Santo Amaro informou que a criança de 2 anos deu entrada às 15h25, de segunda-feira (14), com ferimentos de vias aéreas e queimadura de primeiro grau na face. “O menino segue internado na UTI pediátrica, sendo medicado e estável”, completa.

Testemunha importante: o pai de uma amiga

Depois de cometer o crime, a adolescente foi até a casa de uma amiga, onde explicou a situação ao pai da colega. De acordo com o pai, a infratora disse que não aguentava mais, pois tinha que cuidar de seus irmãos, então colocou fogo no quarto em que as crianças estavam dormindo, trancou a porta do quarto e em seguida, trancou a porta da entrada do apartamento, deixando o conjunto habitacional.

Ainda segundo o pai, ela levava uma sacolinha com dois sapatinhos, um de cada irmão, além de um molho de chaves da casa; ela teria dito que os sapatinhos eram para lembrar de seus irmãos mortos. 



O pai foi até o local dos fatos e encontrou várias viaturas da polícia militar no conjunto habitacional; ele informou aos policiais que a adolescente estava em sua casa, e foi solicitado que voltasse até sua residência para contê-la até a chegada da Polícia Militar. Ao retornar, a infratora perguntou como os seus irmãos estavam e em seguida, disse: “Meus irmãos morreram, não é? ” Minutos depois, a Polícia Militar foi até a casa.

Adolescente confessa o crime

Às autoridades policiais, a adolescente confessou o crime. A infratora relata que discutiu com a mãe, pois ela a culpava da situação difícil em que a família se encontrava. Antes de sair para trabalhar, a mãe teria dado tapas em seu ombro e costas,  responsabilizando-a pela situação. 

Ainda segundo a adolescente, a mãe ameaçou jogar uma cadeira nela, porém desistiu e deixou o apartamento para trabalhar. Ao alegar insatisfação por ter que cuidar de seus irmãos todos os dias "enquanto sua mãe fica fora de casa", a infratora colocou os irmãos para dormir e, em seguida, fechou as janelas da casa, ligou as bocas do fogão e depois colocou fogo no tapete do quarto onde estavam as crianças, com papéis em chamas. Ela trancou as portas dos quartos e da entrada do apartamento. 



O primeiro papel não acendeu, mas, no segundo, conseguiu jogar no tapete do quarto. Afirma que fechou as janelas para que a fumaça não saísse, e as pessoas que estavam fora do apartamento percebessem o fogo. Declara ainda que o pai das crianças já tentou matar a sua família ligando as bocas do fogão durante a noite, mas sua mãe acordou antes que pudesse acontecer algo pior. Ainda diz que cometeu o ato para poupar os irmãos de continuar sofrendo, e que pesquisou na internet quanto tempo leva para explodir um gás de cozinha.

A adolescente foi apreendida por ato infracional análogo ao crime de homicídio qualificado. O registro ainda detalha que “a adolescente deve permanecer sob internação para manutenção da ordem pública, nos termos dos artigos 173 a 175 do Estatuto da Criança e do Adolescente, em razão de tratar-se de ato infracional análogo à infração penal grave e de grande repercussão social”. 

A prefeitura de Guarujá lamentou o ocorrido, em nota. “A prefeitura se solidariza com os familiares neste momento de dor e atenção à criança que está sendo atendida pelo Hospital Santo Amaro (HSA), acompanhando diretamente as investigações abertas pela Polícia Civil, para que determine as responsabilidades do ocorrido".



Ainda segundo a nota, por determinação do prefeito Farid Madi, as secretarias de Saúde (Sesau), Desenvolvimento e Assistência Social (Sedeas) e Fundo Social de Solidariedade estão monitorando o caso, colocando-se à disposição do que for necessário. "Casos desta natureza reforçam o compromisso desta gestão na expansão do programa de saúde mental para as famílias e para as crianças".

O caso foi registrado como homicídio e tentativa de homicídio na Delegacia de Polícia do Guarujá.

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