DIREITO DO CONSUMIDOR

Você sabe o teto de custo do seu remédio? 80% desconhecem limite de preços

Levantamento aponta que metade dos clientes troca a prescrição médica por genéricos mais baratos; informar o CPF para descontos também gera alertas sobre privacidade


Redação
Publicado em 29/06/2026, às 17h30

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Remédios espalhados em uma mesa
Alta nos preços afeta diretamente o tratamento: 88% dos entrevistados já deixaram de comprar medicamentos por causa do valor - Divulgação/Governo de São Paulo


Quase 80% dos consumidores (79,1%) não sabem que a maioria dos medicamentos possui um teto máximo de cobrança estipulado por lei. É o que revela uma pesquisa divulgada pelo Procon São Paulo, que traçou os hábitos de compra, os critérios de escolha e as preocupações com a privacidade de dados nas farmácias.

O desconhecimento sobre o chamado Preço Máximo ao Consumidor (PMC), índice definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e divulgado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ocorre mesmo em um cenário onde o custo da saúde pesa diretamente no orçamento familiar.

O estudo mostrou que 88,1% dos entrevistados já deixaram de adquirir algum remédio na farmácia devido ao preço.



A pesquisa constatou um avanço contínuo na busca por alternativas econômicas. Atualmente, apenas 31,7% dos consumidores compram exatamente o produto prescrito pelo médico. A grande maioria (50,2%) afirma que troca a indicação inicial por um genérico, ou outra opção similar mais barata no momento da compra.

Armadilha do CPF

Outro ponto de alerta levantado pelo Procon-SP envolve a política de descontos atrelada ao fornecimento de dados pessoais. Sete em cada dez consumidores (71,2%) dizem informar o CPF sempre que vão à farmácia, para obter abatimentos no valor final. No entanto, a maioria ignora o destino dessas informações:

  • 54,2% não sabem como os seus dados são tratados ou armazenados após a compra;
  • 35,2% têm dúvidas sobre o assunto.

Diante do cenário, o órgão de defesa do consumidor cobrou adequações do setor farmacêutico. Segundo o Procon-SP, as empresas precisam ir além da justificativa do desconto e explicar claramente aos clientes se os dados são compartilhados com laboratórios ou convênios médicos, e se há monetização dessas informações, conforme exigem as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).



Mudanças de comportamento

O levantamento, feito em maio de 2026, também mapeou como o perfil do consumidor mudou no último ano. Entre os destaques na comparação com 2025, estão:

  • Menos exclusividade física: preferência por comprar medicamentos apenas em grandes redes físicas caiu de 51,9% para 43,1%;
  • Avanço do digital: uso combinado de canais físicos e on-line (como aplicativos e sites de farmácias) subiu de 31,2% para 39,4%;
  • Propagandas e automedicação: subiu de 66,1% para 70,3% a percepção dos clientes de que as publicidades do setor induzem a população à automedicação;
  • Para medicamentos que não exigem receita médica, o principal critério de escolha nas gôndolas é a experiência anterior com o produto (34,2%), seguida pela recomendação do próprio farmacêutico (27,1%).

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