Levantamento aponta que metade dos clientes troca a prescrição médica por genéricos mais baratos; informar o CPF para descontos também gera alertas sobre privacidade

Quase 80% dos consumidores (79,1%) não sabem que a maioria dos medicamentos possui um teto máximo de cobrança estipulado por lei. É o que revela uma pesquisa divulgada pelo Procon São Paulo, que traçou os hábitos de compra, os critérios de escolha e as preocupações com a privacidade de dados nas farmácias.
O desconhecimento sobre o chamado Preço Máximo ao Consumidor (PMC), índice definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e divulgado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ocorre mesmo em um cenário onde o custo da saúde pesa diretamente no orçamento familiar.
O estudo mostrou que 88,1% dos entrevistados já deixaram de adquirir algum remédio na farmácia devido ao preço.
A pesquisa constatou um avanço contínuo na busca por alternativas econômicas. Atualmente, apenas 31,7% dos consumidores compram exatamente o produto prescrito pelo médico. A grande maioria (50,2%) afirma que troca a indicação inicial por um genérico, ou outra opção similar mais barata no momento da compra.
Outro ponto de alerta levantado pelo Procon-SP envolve a política de descontos atrelada ao fornecimento de dados pessoais. Sete em cada dez consumidores (71,2%) dizem informar o CPF sempre que vão à farmácia, para obter abatimentos no valor final. No entanto, a maioria ignora o destino dessas informações:
Diante do cenário, o órgão de defesa do consumidor cobrou adequações do setor farmacêutico. Segundo o Procon-SP, as empresas precisam ir além da justificativa do desconto e explicar claramente aos clientes se os dados são compartilhados com laboratórios ou convênios médicos, e se há monetização dessas informações, conforme exigem as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
O levantamento, feito em maio de 2026, também mapeou como o perfil do consumidor mudou no último ano. Entre os destaques na comparação com 2025, estão: