Imunologista afirma que hábito dos chamados “sommeliers de vacina” de escolher imunizante, além de não ter lastro racional é infração sanitária que deveria ser punida; professor de geriatria do Mackenzie concorda

O imunologista e coordenador do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) do Mackenzie, Jan Carlo Delorenzi, críticou, nesta quarta-feira (28) o hábito de escolher vacinas durante a imunização contra a covid-19 . "As pessoas têm que entender que a vacinação não é menu, não estamos num restaurante para escolher o que vai tomar”, afirma o imunologista.
Inexplicavelmente, o estranho hábito tem se disseminado e preocupado autoridades sanitárias estaduais e municipais que estudam impor penalidades aos `sommeliers de vacina', como foram, ironicamente, apelidados os escolhedores. Ontem, a prefeitura de São Paulo (SP), sancionou lei que manda para o final da fila de imunização cidadãos que recusarem uma vacina contra a covid-19 em razão da marca do imunizante.
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Desde o início da vacinação contra a covid-19 no Brasil, não é raro ouvir alguém comentar que deseja escolher com qual fabricante irá se vacinar ou ainda que, após se imunizar voltará a andar sem máscara e promover aglomerações.
Muitos ainda questionam acerca da eficácia das vacinas disponíveis no país, entretanto, o professor de geriatria, Rubens de Fraga Júnior, da Faculdade Evangélica Mackenzie Paraná (FEMPAR), aponta dois estudos para comprovar que todas as marcas de vacinas são eficientes.
O acadêmico parte de estudos da revista The Lancet e da agência Public Health England. O primeiro artigo afirma que a CoronaVac tem alta eficácia contra covid-19 sintomático confirmado por PCR, além de uma boa segurança e alto perfil de tolerabilidade.
No segundo estudo, foram observadas apenas diferenças modestas na eficácia das vacinas da AstraZeneca e Pfizer com a variante delta em comparação com a variante alfa após o recebimento de duas doses de vacina.
O imunologista Jan Carlo, por seu turno, argumenta que o processo de aprovação de vacinas brasileiro é confiável, de modo que distinções entre imunizantes por parte dos imunizados não se justificam racionalmente.
“O Brasil foi muito rigoroso na aprovação das vacinas e por isso o cidadão pode ficar tranquilo independente de qual seja". Ele diz ainda que as pessoas que se recusam a se vacinar estão cometendo infração sanitária e por isso, acredita que deveriam ser penalizadas.
O professor de geriatria Rubens Fraga concorda. "Qual a melhor vacina? Meu recado: a vacina no seu braço. Devemos assegurar que qualquer vacina regulamentada pela Anvisa é uma vacina eficaz" afirma ele, alertando também para a necessidade do uso de máscara mesmo após a imunização.
“Teremos que ter uma cobertura vacinal de mais de 75% da população com a segunda dose da vacina. Até este dia, teremos que continuar com os cuidados de distanciamento físico e uso adequado de boas máscaras", analisa.
Ambos os médicos afirmam que é possível que a vacinação contra a covid-19 seja incorporada ao calendário anual de vacinação. Rubens Júnior diz que as pesquisas científicas vêm mostrando que muito provavelmente haverá a vacina contra o coronavírus incorporada ao calendário vacinal anual, assim como aconteceu com a Influenza, a H1N1 e as variantes das gripes comuns.
Jan Carlo também comenta sobre esta questão. "Pode ser sim que ela seja sazonal. O que temos que ter em mente é que a vacinação é o que vai garantir a sobrevivência da humanidade neste moment