Polifarmácia afeta até 57% da população idosa no país; especialista alerta para os perigos da mistura de medicamentos e da automedicação

Envelhecer com saúde, bem-estar e qualidade de vida é o desejo de todos. Mas, para alcançar esse objetivo, o paciente precisa ficar alerta para um problema silencioso: a polifarmácia, nome dado ao uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos.
O recurso costuma tratar múltiplas doenças crônicas, mas traz riscos severos ao organismo. O médico, pesquisador e coordenador do programa USP 60+, Egídio Dorea, explica que cerca de 39% a 45% dos idosos no planeta se encaixam neste perfil.
O especialista adverte sobre os perigos do excesso de prescrições no cenário nacional.
No Brasil, dependendo da população estudada, a prevalência varia entre 18% e 57%, sendo muito mais comum entre as mulheres, pacientes com várias comorbidades e pessoas com mais de 75 anos. Embora muitas vezes esses remédios sejam necessários, o excesso é um grande problema”, afirma Dorea.
O consumo excessivo causa reações adversas, interações perigosas entre as substâncias, quedas, episódios de confusão mental e hospitalizações. O pior cenário envolve o aumento do risco da iatrogenia. O médico define o quadro.
“São os danos não intencionais causados pelo próprio tratamento médico. Vemos muito o uso prolongado e inapropriado de medicamentos como benzodiazepínicos (remédios para dormir), anti-inflamatórios e inibidores de prótons sem uma indicação clara”, detalha o pesquisador.
Para fugir desse ciclo, a recomendação médica aponta para o uso racional de substâncias e a desprescrição. O paciente não deve interromper o tratamento por conta própria, mas precisa revisar a receita periodicamente no consultório. A meta busca reduzir doses ou suspender itens que não trazem mais benefício e que podem causar mais mal do que bem.
Dorea deixa uma dica valiosa para evitar a chamada 'cascata medicamentosa', situação em que o profissional receita um novo item apenas para tratar o efeito colateral de outro medicamento já em uso. O especialista orienta os idosos durante as consultas.
“É vital perguntar ao médico: ‘ainda preciso deste remédio? Há algo não medicamentoso que possa substituí-lo?’ Isso evita a perigosa cascata medicamentosa”, ressalta o coordenador do USP 60+.
A conclusão do estudo mostra que envelhecer com saúde não significa tomar mais remédios, mas consumir apenas o necessário, de maneira inteligente e segura.
*Com informações da Agência de Notícias do Governo do Estado de São Paulo.