Cientistas têm avançado na busca de imunizações contra o câncer e contra dependências químicas

Com a aprovação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), da CoronaVac, primeiro imunizante contra o Coronavírus do Brasil, no domingo, 17, e a primeira vacinação do Brasil ocorrendo na mesma data, em São Paulo, o poder das vacinas, sua capacidade de melhorar a vida da humanidade, saiu um pouco dos laboratórios e entrou na boca do povo.
O poder revolucionário das vacinas nunca foi tão pensado e discutido. Entretanto, o processo de criação de uma vacina pode durar anos, ou até décadas. Conheça a seguir algumas vacinas com potencial revolucionário que estão sendo estudadas atualmente.

Vacinas contra vícios uma questão controversa
Tabagismo, alcoolismo, crack, cocaína e outros. Para todos estas dependências químicas e psiquícas já houve cientistas tentando encontrar uma vacina que, se não livrasse os dependentes das substâncias ao menos mitigasse a dependência. O advento de vacinas para vícios, porém, levanta questões éticas como a obrigatoriedade ou não da vacina com dependentes que não aceitem tomá-la, já que não se trata de uma doença infecciosa.
Os críticos das vacinas contra os vícios também argumentam que a adição não é meramente um fator biológico, mas também comportamental é não há vacinas para mudar comportamentos. Ou seja, apesar de ser possível a criação de substância que agem no organismo, não haveria um botão que desliga o vício, suas causas e gatilhos. Além de fatores biológicos, onde agem as vacinas, a dependência estaria também ligada a profundas e complexas modulações psicológicas onde as vacinas tem pouco poder.
É consenso entre todos, porém, que mesmo não livrando os dependentes de vez, vacinas podem ser um apoio decisivo em tratamentos de dependência, desde que os direitos individuais dos adictos sejam respeitados.

1 - Vacina contra cocaína
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Segundo publicação do portal do Senado Brasileiro, por ocasião de audiências públicas relacionadas à questão, o Immunologic Pharmacological Corporation, um laboratório de pesquisa nos Estados Unidos, desenvolve desde 1996 a vacina contra a cocaína. Em 2009, relata a publicação, a pesquisa começou a experimentar a vacina em humanos.
A vacina contra a cocaína suprimiria a sensação de prazer do uso da droga que é um dos elementos que provocam a adição.
Pesquisadores das escolas de medicina da Universidade de Yale e do Baylor College notaram que 38% dos pacientes vacinados produziram anticorpos suficientes para bloquear os efeitos da droga. Além disso, a eficácia da vacina contra a cocaína não persistiu por mais de dois meses. “Um ótimo tratamento necessitaria, sem dúvida, de vacinações repetidas para manter o nível de anticorpos adequado”, afirmaram os autores.

2 - Vacina contra o Crack
Pesquisadores da faculdade de medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), também pesquisam na mesma direção da pesquisa da vacina da cocaína, que também poderia tratar dependentes de crack, cuja matéria prima é a mesma da cocaína.
A pesquisa para a vacina contra a cocaína começou com uma tentativa de proteger fetos de mães usuárias de crack dos malefícios da droga. Hoje, é esperado que ela também auxilie no tratamento de dependentes de cocaína.
Feita de moléculas da droga, a vacina faz com que o organismo reconheça a cocaína como um corpo estranho e passe a combater sua entrada no organismo.
Com o medicamento já tendo sido testado em animais, os testes em seres humanos estavam projetados para iniciar em 2020.
3 - Vacina contra o Câncer
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) o câncer é a segunda principal causa de morte no mundo. Em 2018, a doença matou 9,6 milhões de pessoas, quase o equivalente à população de Portugal. O país tem 10,5 milhões de habitantes. Globalmente, também segundo à OMS, uma em cada seis mortes são relacionadas ao câncer, sendo que a doença é mais voraz em países de baixa renda, onde acontecem 70% dos casos.
Com esse números apocalípticos, diversas instituições do mundo desenvolvem tecnologias para mitigar, entender ou neutralizar os efeitos da doença e, entre tais estudos, estão a busca por uma vacina.
Um dos estudos mais proeminentes foi da Universidade de Harvard, nos EUA, iniciado em 2009. Onze anos depois, em 2020, a vacina foi 100% eficaz em testes com animais.
A vacina contra o câncer de Harvard é baseada no mesmo principio da quimioterapia, que mata as células cancerígenas. A pesquisa teve 100% de sucesso em camundongos com câncer de mama triplo negativo. Por enquanto, uma possível aplicação prática futura da vacina não aponta na direção de uma imunização total contra o câncer, mas de um forte aliado aos tratamentos que já existem, como as terapias inibidoras.
Porém, no horizonte dos pesquisadores está o estudo de combinações das terapias para produzir vacinas contra o câncer ou a produção de proteções mais eficazes para outros tipos de tumores.