Professor não deve diagnosticar, mas, sim, alertar os pais sobre dificuldades, orienta especialista em psiquiatria infantil

Inquietação, dificuldade de interação e baixo rendimento escolar são sinais que podem gerar dúvidas em pais e educadores. Muitas vezes, esses comportamentos são confundidos com dois dos diagnósticos mais comuns da saúde mental infantil: o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e o transtorno do espectro autista (TEA).
Para esclarecer o tema, o psiquiatra infantil Fábio Barbirato participou de um webinar promovido pelo hospital Santa Mônica.
Segundo Barbirato, o TDAH afeta principalmente os sistemas de atenção e controle de impulsos. Já o TEA impacta a comunicação, a interação social e os padrões de comportamento, que se tornam restritos e repetitivos.
A confusão ocorre porque sintomas como desatenção e impulsividade podem aparecer nos dois quadros, especialmente em casos de TEA nível 1. "É comum que crianças com autismo leve sejam inicialmente diagnosticadas com TDAH, ou vice-versa", explicou o médico.
O especialista também alerta que é possível que a criança tenha os dois transtornos simultaneamente, o que exige uma abordagem multidisciplinar.
De acordo com o Ministério da Saúde, o TEA é um distúrbio do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento, podendo apresentar ações repetitivas ou hiperfoco. O espectro abrange desde graus leves, com poucas dificuldades de adaptação, até níveis de total dependência para atividades cotidianas.
Já o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) é definido pelo Ministério da Saúde como uma condição caracterizada pela tríade de desatenção, hiperatividade e impulsividade em nível disfuncional para a idade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o TDAH acometa cerca de 3% da população mundial. Os sintomas começam na infância e podem persistir por toda a vida.
Dr. Barbirato reforçou que o diagnóstico precoce é fundamental para garantir suporte à criança. Segundo o Ministério da Saúde, o TEA não tem cura, mas a identificação antecipada permite o desenvolvimento de práticas para estimular a independência e a qualidade de vida.
A suspeita inicial de ambos os transtornos, informa a pasta, é geralmente feita na Atenção Primária à Saúde, durante as consultas de rotina. Ferramentas como a Caderneta da Criança, que agora inclui a escala de rastreio M-CHAT-R, a partir dos 16 meses, auxiliam os profissionais a identificar os primeiros sinais.
"O maior erro é achar que tudo vai passar com o tempo", afirmou o Dr. Barbirato.
Aos educadores, o psiquiatra orienta que o papel não é dar o diagnóstico, mas, sim, "perceber que aquela criança está tendo dificuldades e sinalizar isso aos responsáveis". O acolhimento sem estigmas é o ponto de partida para o desenvolvimento saudável da criança, concluiu o especialista.