ALERTA

Sete em cada dez brasileiros usam IA para tirar dúvidas médicas

Ferramentas como o ChatGPT se tornaram aliadas na busca rápida por informações, mas médicos da AMB alertam sobre os graves riscos de diagnósticos virtuais


Redação
Publicado em 01/07/2026, às 09h46

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Sete em cada dez brasileiros usam IA para tirar dúvidas médicas
Aplicativos de inteligência artificial são utilizados para consultas rápidas - Cottonbro Studio/Pexels


O avanço tecnológico ampliou drasticamente o acesso à informação. Com a popularização da inteligência artificial (IA), praticamente tudo está disponível em segundos na palma da mão. No entanto, a conveniência esconde perigos reais, principalmente quando a tecnologia é utilizada para buscar diagnósticos ou tratamentos sem supervisão médica.

Estudo recente feito no Brasil revelou um dado preocupante: entre dez pessoas, sete utilizam plataformas de inteligência artificial para tirar dúvidas relacionadas à saúde.

O atalho do consultório virtual

Para pacientes ansiosos, a agilidade do sistema parece resolver o problema da espera. A analista de comércio exterior Bianca Assis, mãe de primeira viagem, transformou o celular em seu primeiro "consultório".



Qualquer mudança no comportamento da filha acende um alerta que é imediatamente levado ao mundo virtual. Ela relata como o aplicativo se tornou um hábito diário antes mesmo do nascimento da bebê:

O ChatGPT é o meu maior aliado nesse momento. Eu sou mãe de primeira viagem, então tenho muitas dúvidas e não consigo esperar o pediatra responder. Antes, eu já mandava meu exame para ele ver se estava tudo certo antes de voltar ao médico, porque sou um pouco ansiosa. E agora, com a Bia, eu quero o tempo todo saber se está tudo bem, se é normal as coisas que ela está fazendo."

Para a analista, a gratuidade e a rapidez criam uma relação de dependência tecnológica que dificilmente será revertida.

Riscos da tecnologia

Por mais que a ferramenta entregue respostas estruturadas de forma imediata, a IA não tem capacidade para avaliar o histórico clínico, realizar exames físicos ou compreender as particularidades metabólicas de um ser humano.



O médico Antônio Carlos Endrigo, presidente da Comissão de Saúde Digital da Associação Médica Brasileira (AMB), explica que a ferramenta possui prós e contras, mas condena o uso para autodiagnóstico:

Para um leigo que vai buscar informações sobre saúde, não é seguro. Onde ele pode ser muito útil é para a educação. Então, imagine que um médico já fez um diagnóstico, o paciente já está sob tratamento, e pode usar a inteligência artificial para buscar mais orientações."

Diante desse cenário, a Associação Médica Brasileira estabelece parâmetros claros de segurança para a população:

  • O que não fazer: inserir sintomas na IA para descobrir qual é a doença ou solicitar prescrição de medicamentos;
  • Como usar de forma segura: utilizar a plataforma unicamente para fins educacionais, pesquisando sobre um problema ou tratamento que já foi diagnosticado e prescrito formalmente.

Mesmo com a praticidade diária dos algoritmos, a regra principal para preservar a vida permanece inalterada. A recomendação médica oficial é clara: em caso de sintomas ou dúvidas, busque sempre um profissional de saúde qualificado.



*Com informações da jornalista Fernanda Paes, para o Jornal Litoral, da TV Cultura Litoral.

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