Ferramentas como o ChatGPT se tornaram aliadas na busca rápida por informações, mas médicos da AMB alertam sobre os graves riscos de diagnósticos virtuais

O avanço tecnológico ampliou drasticamente o acesso à informação. Com a popularização da inteligência artificial (IA), praticamente tudo está disponível em segundos na palma da mão. No entanto, a conveniência esconde perigos reais, principalmente quando a tecnologia é utilizada para buscar diagnósticos ou tratamentos sem supervisão médica.
Estudo recente feito no Brasil revelou um dado preocupante: entre dez pessoas, sete utilizam plataformas de inteligência artificial para tirar dúvidas relacionadas à saúde.
Para pacientes ansiosos, a agilidade do sistema parece resolver o problema da espera. A analista de comércio exterior Bianca Assis, mãe de primeira viagem, transformou o celular em seu primeiro "consultório".
Qualquer mudança no comportamento da filha acende um alerta que é imediatamente levado ao mundo virtual. Ela relata como o aplicativo se tornou um hábito diário antes mesmo do nascimento da bebê:
O ChatGPT é o meu maior aliado nesse momento. Eu sou mãe de primeira viagem, então tenho muitas dúvidas e não consigo esperar o pediatra responder. Antes, eu já mandava meu exame para ele ver se estava tudo certo antes de voltar ao médico, porque sou um pouco ansiosa. E agora, com a Bia, eu quero o tempo todo saber se está tudo bem, se é normal as coisas que ela está fazendo."
Para a analista, a gratuidade e a rapidez criam uma relação de dependência tecnológica que dificilmente será revertida.
Por mais que a ferramenta entregue respostas estruturadas de forma imediata, a IA não tem capacidade para avaliar o histórico clínico, realizar exames físicos ou compreender as particularidades metabólicas de um ser humano.
O médico Antônio Carlos Endrigo, presidente da Comissão de Saúde Digital da Associação Médica Brasileira (AMB), explica que a ferramenta possui prós e contras, mas condena o uso para autodiagnóstico:
Para um leigo que vai buscar informações sobre saúde, não é seguro. Onde ele pode ser muito útil é para a educação. Então, imagine que um médico já fez um diagnóstico, o paciente já está sob tratamento, e pode usar a inteligência artificial para buscar mais orientações."
Diante desse cenário, a Associação Médica Brasileira estabelece parâmetros claros de segurança para a população:
Mesmo com a praticidade diária dos algoritmos, a regra principal para preservar a vida permanece inalterada. A recomendação médica oficial é clara: em caso de sintomas ou dúvidas, busque sempre um profissional de saúde qualificado.
*Com informações da jornalista Fernanda Paes, para o Jornal Litoral, da TV Cultura Litoral.