Doença autoimune pode surgir mesmo sem histórico familiar; em Santos, centro especializado atende mais de 100 pacientes infantojuvenis

Um quadro repentino de sede excessiva, idas frequentes ao banheiro e perda de peso sem motivo aparente, pode ser o primeiro sinal de um problema de saúde grave na infância: o diabetes tipo 1.
Diferentemente do que o senso comum prega, a doença pode se manifestar em crianças que não possuem histórico do problema na família. Trata-se de uma condição autoimune, na qual o próprio sistema de defesa do corpo ataca o pâncreas e impede a produção de insulina, hormônio responsável por transformar a glicose do sangue em energia.
Segundo a endocrinologista Dinah Politi, que atua no Ambulatório de Especialidades Dr. Nelson Teixeira (Ambesp-NT), em Santos, litoral de São Paulo, os pais devem ligar o sinal de alerta ao notarem mudanças bruscas no comportamento físico da criança.
Alguns sinais surgem de forma repentina. Fome intensa, cansaço constante e visão turva são comuns. Em alguns casos, vômitos e dores abdominais também podem estar associados ao quadro", explica a médica.
Especialistas apontam que fatores genéticos somados a gatilhos ambientais, como uma simples infecção viral, podem desencadear a doença.
A falta de controle glicêmico afeta diretamente a rotina de aprendizado. Crianças com o diabetes desregulado podem apresentar episódios de confusão mental, tontura e desmaios durante as aulas. Por isso, a equipe médica ressalta que é fundamental que a escola seja comunicada sobre o diagnóstico para saber como agir em situações de emergência.
O tratamento exige adaptação. À medida que a criança cresce, ela deve ser estimulada a desenvolver o autocuidado, compreendendo os limites e as necessidades de sua condição, sempre com o suporte de uma equipe multidisciplinar.
Na rede pública de Santos, o tratamento especializado é concentrado no Centro de Referência do Diabetes Tipo 1, localizado no Macuco. O serviço, administrado pelo Instituto Social Hospital Alemão Oswaldo Cruz (Ishaoc), acompanha atualmente 415 pacientes — sendo que 25% deles (105 pacientes) são crianças e adolescentes menores de 18 anos.
O espaço oferece um plano terapêutico individualizado, desenhado não apenas por médicos, mas por um corpo clínico que inclui enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos e assistentes sociais. Esse suporte integral ajuda as famílias a lidarem com o aspecto emocional do diagnóstico e previne internações futuras.
O fluxo de atendimento é projetado para ser ágil: