LIMITES

Risco ao fígado: Anvisa muda regras e impõe alerta em suplementos com cúrcuma

Instrução Normativa publicada nesta quarta-feira (22) estabelece novos limites de uso da cúrcuma e proíbe misturas em produtos concentrados


Redação
Publicado em 22/04/2026, às 13h35

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Risco ao fígado: Anvisa muda regras e impõe alerta em suplementos de cúrcuma
Agência esclarece que o risco não atinge o uso da raiz como tempero, mas afeta suplementos - Alexander Grey/Unsplash


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atualizou, nesta quarta-feira (22), as regras para a composição e a rotulagem de suplementos alimentares com extrato de cúrcuma, planta também conhecida como açafrão.

A Instrução Normativa 438/2026 estabelece limites de uso e obriga a inclusão de advertências diretas aos consumidores.

A medida surge após o monitoramento de mercado identificar um possível risco de danos ao fígado (hepatotoxicidade). O problema possui associação com o uso oral de medicamentos e suplementos com concentrações elevadas de cúrcuma longa ou curcuminoides. A agência esclarece de forma expressa que o risco não atinge o uso da cúrcuma no preparo diário de alimentos como tempero.



O perigo de intoxicação hepática ganha força em produtos com formulações ou tecnologias que promovem um aumento na absorção da curcumina em níveis muito acima do consumo normal. No Brasil, o uso da piperina (composto de pimentas) para elevar essa absorção não possui autorização do órgão para suplementos.

Três novas regras para a indústria

A norma publicada no Diário Oficial da União impõe três mudanças principais para o setor:



  • Alerta no rótulo: os produtos precisam exibir a frase exata: “Este produto não deve ser consumido por gestantes, lactantes, crianças, pessoas com doenças hepáticas, biliares ou com úlceras gástricas. Pessoas com enfermidades e/ou sob o uso de medicamentos, consulte seu médico”.
  • Cálculo rigoroso: o limite de consumo da curcumina passa a exigir o cálculo pela soma de seus três componentes principais (curcuminoides totais).
  • Nova substância com restrição: a agência incluiu os tetraidrocurcuminoides na lista de ingredientes permitidos. No entanto, o texto proíbe a mistura deste novo componente com o extrato natural da planta no mesmo produto, para evitar sobrecarga no organismo do consumidor.

As empresas possuem prazo de seis meses para a adequação. Durante o período, as marcas podem vender os produtos atuais, desde que a advertência exigida fique disponível aos clientes nos sites oficiais e nos Serviços de Atendimento ao Consumidor (SAC).

Sinais de intoxicação e contraindicações

As avaliações de autoridades de saúde de países como Canadá, França, Alemanha, Itália e Austrália embasaram a decisão nacional. Os casos suspeitos de lesão no fígado apresentam sintomas como icterícia (pele e olhos amarelados), urina escura, náusea, vômito, fadiga intensa, perda de apetite e dor abdominal. Em casos raros, o quadro evolui para insuficiência hepática e óbito.

O órgão alerta que indivíduos com cálculos biliares, obstrução biliar, doenças no fígado e úlceras gastroduodenais devem evitar o produto. A restrição também abrange pessoas em uso de anticoagulantes, imunossupressores ou medicamentos oncológicos, salvo sob recomendação médica específica.



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