DIAGNÓSTICO

Puberdade precoce: o que faz o corpo das crianças amadurecer antes da hora?

Porque médicos estão preocupados com o início antecipado da puberdade no mundo. Diretrizes da USP e Ministério da Saúde orientam sobre diagnósticos

crianças abraçadas de costa - imagem ilustrativa
Acompanhamento do crescimento e da maturação óssea com especialista ajuda a definir se o desenvolvimento antecipado precisa de tratamento - Reprodução/Envato


O avanço de sinais do amadurecimento físico em crianças cada vez mais jovens tem acendido o alerta na comunidade médica internacional. Considera-se puberdade precoce a alteração hormonal que faz surgir broto mamário antes dos 8 anos em meninas ou provoca o aumento dos testículos antes dos 9 anos em meninos.

O fenômeno preocupa especialistas no mundo todo porque o amadurecimento corporal acelerado traz impactos no desenvolvimento emocional do paciente e pode comprometer a estatura final da criança ao fechar precocemente as placas de crescimento dos ossos.

Embora o início do desenvolvimento sexual varie de acordo com fatores genéticos e nutricionais, o aumento recente de diagnósticos está associado a múltiplos fatores modernos. O ganho de peso na infância, o estresse emocional e o contato frequente com os chamados desreguladores endócrinos — substâncias químicas presentes em plásticos, agrotóxicos e embalagens que mimetizam os hormônios no organismo — figuram entre as hipóteses investigadas para a antecipação da fase adulta.

 Na maioria das vezes, a condição não evolui para uma doença grave, mas exige avaliação cuidadosa com endocrinopediatra para afastar alterações metabólicas ou tumores hormônio-dependentes.

 A pesquisadora, Ana Claudia Latronico, professora da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), que lidera o grupo responsável pela diretriz Endocrine Society, para o diagnóstico e tratamento da puberdade precoce central, reforça que os casos não evoluem da mesma forma:

“Nos últimos anos, acumulamos evidências de que nem todas as crianças com puberdade precoce central necessitam das mesmas intervenções. A diretriz propõe uma abordagem mais individualizada, baseada em evidências, permitindo indicar exames e tratamentos apenas para quem se beneficiará deles.

A conduta médica avalia o histórico familiar e a evolução do crescimento em radiografias de mão e punho para checar a maturação dos ossos. Exames de sangue hormonais, ultrassonografia pélvica e ressonância magnética do cérebro complementam a investigação quando há suspeita de aceleração rápida do quadro.



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