Cloroquina, ivermectina, azitromicina e demais medicamentos seguem sem comprovação cientifica contra a doença descoberta há um ano e meio

A procura por medicamentos do chamado ‘kit covid’, aumentou consideravelmente no mês de março e nas primeiras semanas de abril nas farmácias do litoral de São Paulo. A crescente se deu justamente no momento de escassez de vagas em leitos de unidade de terapia intensiva – UTIs em todo o estado e, traz mais dúvidas do que soluções sobre a doença descoberta há um ano e meio na China.
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Apesar de não ter comprovação cientifica os comprimidos na maioria das vezes de cloroquina, ivermectina e azitromicina continuam a ser receitados por médicos e defendidos por políticos supostamente como uma forma de tratamento precoce. O Conselho Federal de Farmácia aponta um aumento em 300% nas vendas.
Para o farmacêutico Douglas Dias a adesão deve ser vista com atenção. “As pessoas tem falado que os sintomas reduzem depois de tomar, mas o fato é que a Covid-19 é uma doença nova e muitos estudos ainda estão em andamento. Não dá pra afirmar ainda que a medicação é segura, ou não, sem avaliar os efeitos colaterais”.
As principais organizações de saúde e medicina do Brasil e do mundo, incluindo a Organização Mundial da Saúde - OMS, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças norte americano – CDC (sigla em inglês), a Agência Europeia de Medicamentos e a Sociedade Brasileira de Infectologia são unânimes em apontar a inexistência de medicação precoce contra a doença até o momento. As avaliações são embasadas em dezenas de pesquisas científicas de diferentes instituições.
Em junho de 2020, o ministério da Saúde ampliou o protocolo de orientações para uso da cloroquina, incluindo a recomendação para casos leves e moderados da covid. A mudança foi uma exigência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao então ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, logo que ele assumiu o cargo. Em janeiro de 2021, a pasta chegou a testar um aplicativo que recomendava o tratamento precoce, retirado do ar pouco depois diante de críticas de especialistas.
As alternativas presentes nos kits são todas sugeridas dentro do uso “off label”, ou seja, em situações não previstas na bula. A prática é comum e considerada legal na medicina. Em 25 de janeiro de 2021, o presidente do Conselho Federal de Medicina – CFM, Mauro Luiz de Britto Ribeiro, afirmou que é “decisão do médico realizar o tratamento que julgar adequado”. Por outro lado, um comitê de representantes de sociedades médicas, organizado pela Associação Médica Brasileira, recomendou no mês passado que o uso de medicamentos sem eficácia contra a covid-19, seja banido.
Quais são os principais remédios do kit-covid e quais enfermidades eles tratam?
Cloroquina e hidroxicloroquina: tanto a cloroquina quanto o derivado hidroxicloroquina, considerado menos tóxico, são originalmente usados no combate à malária, lúpus e artrite. Entre os efeitos colaterais estão arritmia cardíaca, complicações renais e comprometimento da saúde ocular
Ivermectina: o remédio é usado no tratamento de infecções por parasitas, como piolhos, sarnas e lombrigas, entre elas a escabiose. A ivermectina pode causar tontura, vertigem, tremor, febre, dores abdominais, dores de cabeça, coceira e queda brusca na pressão sanguínea. Há casos de pessoas com covid-19 que morreram de hepatite medicamentosa depois da ingestão.
Azitromicina: classificado como antibiótico, a azitromicina costuma ser indicada no tratamento de doenças respiratórias, como bronquite ou pneumonia, ou sexualmente transmissíveis, como a gonorreia. A azitromicina possui baixo registro de efeitos adversos. Estes podem incluir dor de cabeça, vômito, baixa da pressão arterial e tontura.
Nitazoxanida: antiparasitário que atua em infecções virais causadas por rotavírus, por parasitas como nematódeos, cestódeos, trematódeos (incluindo oxiúro, lombriga, solitária) e por protozoário. Anitta é a marca de referência deste remédio. Além de causar alterações na coloração da urina e do esperma por conta de alguns de seus ingredientes, o remédio pode causar dor de cabeça, enjoo e diarreia, entre outros efeitos.
Ozonioterapia: controversa na medicina para qualquer uso, a técnica de administrar uma mistura de oxigênio e ozônio no corpo só tem autorização do CFM para aplicação experimental. Seus defensores alegam que o tratamento tem propriedades analgésicas e anti-inflamatórias e ajuda no fortalecimento do sistema imunológico. O uso do ozônio é contraindicado em casos de gravidez e em pacientes com infarto agudo do miocárdio. Se usado em excesso, o ozônio também pode afetar os glóbulos vermelhos do sangue.
Tamiflu: Previne o surgimento da gripe comum e da gripe A, provocada pelo vírus Influenza A H1N1. As reações adversas mais comuns são náusea, vômito, dor e dor de cabeça.