Testes em humanos poderão começar até final do ano, disse equipe de cientistas responsável por estudo

Cientistas da Universidade de Minnesota (EUA) anunciaram nesta quarta (23) terem desenvolvido uma pílula anticoncepcional masculina que apresentou eficácia de 99%, sem efeitos colaterais, em testes com camundongos. A próxima etapa do estudo, os testes com humanos, devem ser realizados até o final deste ano.
A descoberta, chefiada pela pesquisadora Gunda Georg, que também comanda o departamento de química medicinal da universidade, terá seus detalhes divulgados até junho em uma reunião semestral da American Chemical Society.
A expectativa é de que os resultados evoluam para a produção de um contraceptivo masculino, esperado desde que a pílula anticoncepcional feminina foi aprovada na década de 1960. Atualmente, os métodos contraceptivos mais eficazes para homens são preservativo e vasectomia – cuja cirurgia reversível é cara e nem sempre eficaz.
"Vários estudos mostram que os homens estão interessados em compartilhar a responsabilidade contraceptiva com suas parceiras", disse à France Presse o doutor Abdullah Al Noman, que apresentou os resultados da pesquisa.
Segundo os cientistas, a pilula, de base não hormonal, funciona inibindo reversível e temporariamente a fertilidade masculina. Nos testes em camundongos, a pílula administrada oralmente reduziu drasticamente a contagem de espermatozoides do animal e foi 99% eficaz na prevenção da gravidez sem efeitos adversos observáveis.
Os camundongos cobaias, anunciaram, recuperaram a fertilidade de 4 a 6 semanas depois da interrupção do medicamento.
A equipe de pesquisa, que recebeu financiamento da Iniciativa de Contracepção Masculina e de Institutos Nacionais de Saúde, trabalha com uma empresa chamada YourChoice Therapeutics para começar testes em humanos entre o terceiro e quarto trimestre deste ano.
"Não há garantia de que funcionará, mas seria realmente surpreendente se não observássemos um efeito em humanos também. Estou otimista de que avançaremos rapidamente", disse a professora Gunda Georg, que acredita que o medicamento poderá ser comercializado em até 5 anos.
Com informações de Agência France Presse