Restrições desnecessárias de glúten e lactose e o uso de chás milagrosos trazem riscos à saúde; foco deve ser a constância de hábitos saudáveis

As chamadas dietas anti-inflamatórias espalham-se pelas redes sociais acompanhadas de promessas para reduzir o peso e diminuir a inflamação do organismo. Ingredientes comuns como gengibre, canela e limão aparecem frequentemente como soluções milagrosas. Além disso, essas receitas incentivam a exclusão de glúten e lactose da rotina de pessoas saudáveis e sem restrições alimentares diagnosticadas.
A discussão atrai a atenção de quem busca qualidade de vida, mas o Alerta Médico é claro: a adoção dessas práticas sem orientação profissional gera riscos e pode agravar quadros de saúde.
A inflamação atua como um mecanismo de defesa natural do corpo humano. Contudo, o quadro crônico associa-se ao desenvolvimento de patologias graves. Chás, cardápios restritivos ou fórmulas mágicas da internet falham no combate ao problema.
O nutricionista Danilo Rodrigues esclarece que a retirada abrupta desses componentes prejudica o funcionamento do organismo de indivíduos saudáveis:
Retirar esses alimentos da alimentação de uma pessoa saudável, que nem tem qualquer tipo de sintoma, vai fazer com que essa pessoa consuma menos nutriente da que por acaso contém o glúten ou a lactose, como por exemplo a aveia, que é um alimento supernutritivo, tem bastantes fibras, que as betaglucanas estão dentro aí da aveia e é um alimento que acaba tendo glúten".
Itens com propriedades benéficas auxiliam o bem-estar, mas não resolvem disfunções sistêmicas de maneira isolada. O planejamento alimentar exige uma análise do contexto geral de vida do paciente.
O nutricionista Danilo Rodrigues complementa: "O que nós temos são alimentos que possuem compostos bioativos, vitaminas e minerais com características anti-inflamatórias, porém eles não conseguem sozinhos de forma isollada reduzir a inflamação do nosso corpo. O que nós podemos fazer é incluir esses alimentos e tornar essa alimentação mais anti-inflamatória".
A busca por resultados imediatos por causa de pressões estéticas abre espaço para o consumo indiscriminado de misturas caseiras e preparados de ervas. Essa conduta oferece perigos severos para órgãos vitais, como o fígado.
A endocrinologista Lívia Porto adverte sobre os perigos dessas escolhas sem critérios científicos:
A gente só vai entender como desinflamar se a gente compreender quem é que inflama a gente. Então, a gente sabe que existem chás que são tóxicos pro fígado, por exemplo. Então acho que o maior risco é tá fazendo uma escolha que possa gerar uma injúria".
A receita eficiente para o equilíbrio corporal envolve o tripé de alimentação balanceada, prática constante de exercícios físicos e sono de qualidade. Médicos e nutricionistas reforçam que um único consumo de alimento ultraprocessado não inflama o corpo, da mesma forma que um 'shot' milagroso não reverte problemas de saúde. O segredo reside na manutenção diária de condutas saudáveis para ocupar o espaço de hábitos nocivos.
*Com informações da jornalista Fernanda Paes, para o quadro Saúde em Dia, da TV Cultura Litoral.