ESTUDO

Número de crianças e adolescentes com obesidade supera desnutrição pela 1ª vez na história

Informação foi divulgada em relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), na terça-feira (9); pesquisa reúne dados de 190 países


Redação
Publicado em 11/09/2025, às 10h08

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Diretora-executiva do Unicef, Catherine Russell, alerta que produtos ricos em açúcares, sódio e gorduras dominam escolas e comércios - Freepik


Pela primeira vez na história, a obesidade infantil superou a desnutrição como a forma mais comum de má nutrição no mundo. De acordo com relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado na terça-feira (9), a desnutrição entre crianças e adolescentes de 5 a 19 anos caiu de 13%, em 2000, para 9,2%, em 2025. No mesmo período, a obesidade saltou de 3% para 9,4%. O estudo reúne dados de mais de 190 países.

Uma em cada cinco crianças ou adolescentes está acima do peso — um universo de 391 milhões de indivíduos. Quase metade desse grupo, cerca de 188 milhões, vive com obesidade.

Segundo o Unicef, a principal causa é a substituição da alimentação tradicional por ultraprocessados, mais baratos e de fácil acesso.



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Uma em cada cinco crianças ou adolescentes está acima do peso, segundo o Unicef - Flickr


Panorama no Brasil

No Brasil, a inversão entre desnutrição e obesidade ocorreu há décadas. Em 2000, 5% das crianças e adolescentes apresentavam obesidade, contra 4% com desnutrição. Até 2022, o índice de obesidade triplicou para 15%, enquanto a desnutrição caiu para 3%. O sobrepeso dobrou no mesmo período, passando de 18% para 36%.

Cenário global

As maiores taxas de obesidade foram identificadas em países das ilhas do Pacífico, onde ultrapassam 30%. Nos Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos, 21% dos jovens entre 5 e 19 anos estão obesos; no Chile, a taxa chega a 27%.

O relatório aponta que a obesidade infantil aumenta o risco de desenvolver resistência à insulina, hipertensão, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. O impacto econômico também preocupa: se os países não adotarem medidas preventivas, o custo global do sobrepeso e da obesidade poderá ultrapassar US$ 4 trilhões anuais até 2035.



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Um dos pontos positivos apontados pelo Unicef é a restrição de ultraprocessados nas merendas do Brasil - Sergio Amaral/MDS

Consequências para a saúde

A diretora-executiva do Unicef, Catherine Russell, afirma que o problema não se deve apenas a escolhas individuais, mas a “ambientes alimentares prejudiciais que moldam a dieta das crianças para privilegiar ultraprocessados e fast foods”.

Ela alerta que esses produtos, ricos em açúcares, sódio e gorduras não saudáveis, dominam escolas e comércios, enquanto o marketing digital dá às indústrias acesso direto ao público jovem.

Exemplos positivos

Alguns países são citados como referência na adoção de medidas de prevenção, incluindo o Brasil. O Unicef destaca a restrição de ultraprocessados no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), a proibição de propagandas de alimentos não saudáveis voltadas a crianças, a rotulagem frontal em produtos ricos em açúcar e sódio e a proibição do uso de gorduras trans na indústria alimentícia.



Com informações da Agência Brasil

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