Serviço em parceria com faculdade fortalece a rede pública de saúde e oferece acompanhamento específico para uma fase importante da vida da mulher

Mulheres de Cubatão, na Baixada Santista, que vivem a fase do climatério e da menopausa passaram a contar com atendimento especializado na rede pública de saúde. O ambulatório funciona na Faculdade de Medicina da Universidade São Judas, no bairro Vila Nova.
O serviço integra o projeto Terceiro Andar, desenvolvido em parceria entre a universidade e a Secretaria Municipal de Saúde. Proposta é concentrar e ampliar atendimento que já vinha sendo realizado pelo Serviço de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Saism), com oferta de acompanhamento específico para essa etapa da vida.
Unidade conta com oito consultórios e capacidade inicial para 12 atendimentos por período. Os atendimentos têm a participação de residentes e estudantes da área da saúde, sempre sob supervisão de médicos professores, o que também fortalece a formação prática dos futuros profissionais.
O ambulatório funciona de forma integrada à rede municipal de saúde e recebe pacientes encaminhadas pelas unidades básicas. Após a consulta, as mulheres são orientadas na própria recepção sobre agendamento de exames, encaminhamentos para outras especialidades e retirada de medicamentos nas unidades com farmácia ou na Policlínica, quando necessário.
Inicialmente, os atendimentos ocorrem às quartas-feiras à tarde. A previsão é que também ocorram às segundas e sextas-feiras, nos dois períodos, conforme a especialidade.
Segundo a Secretaria de Saúde, a criação do ambulatório também pode ajudar a revelar uma demanda ainda pouco visível por esse tipo de atendimento na rede pública, já que muitas mulheres enfrentam sintomas dessa fase sem acompanhamento especializado.
Para a secretária municipal de Saúde, Joyciene Montes, ampliar a atenção a esse período da vida é fundamental para garantir qualidade de vida às mulheres. “Cuidar do climatério é também promover qualidade de vida, autonomia e dignidade para as mulheres”, afirma.
O climatério é a fase de transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo da mulher. Já a menopausa corresponde ao último ciclo menstrual, que normalmente ocorre entre os 45 e 55 anos. Quando acontece por volta dos 40 anos, é considerada menopausa precoce.
Durante esse período, as alterações hormonais podem provocar irregularidades menstruais, ondas de calor (conhecidas como fogachos), alterações no sono, no humor e na libido. Também podem surgir sintomas como secura vaginal e alterações no funcionamento do organismo.
Além dos aspectos físicos, a redução dos hormônios femininos pode interferir no sistema nervoso central, provocando irritabilidade, ansiedade, dificuldade de memória, episódios de tristeza ou depressão e insônia. A intensidade dos sintomas, no entanto, varia de mulher para mulher.
Mesmo após a menopausa, especialistas recomendam manter o acompanhamento ginecológico regular.
A adoção de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática de atividade física, não fumar e evitar o consumo excessivo de álcool, também contribui para reduzir sintomas e prevenir doenças como osteoporose e problemas cardiovasculares.
Em alguns casos, pode ser indicada a terapia de reposição hormonal, que ajuda a aliviar sintomas físicos e emocionais. O tratamento, porém, deve ser sempre avaliado por um médico, já que existem contraindicações e riscos associados.
Com o novo ambulatório, a expectativa é ampliar o acesso a orientações, diagnóstico e acompanhamento especializado, fortalecendo o cuidado integral à saúde da mulher no município.