Pesquisa com apoio da Fapesp aponta que inibidores gástricos afetam absorção de ferro e cálcio; automedicação preocupa especialistas

Pesquisa conduzida em conjunto entre a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) acendeu alerta para quem utiliza medicamentos para o estômago de forma contínua e sem acompanhamento médico.
Estudo revela que o uso prolongado de omeprazol e similares pode comprometer gravemente a saúde óssea e causar deficiências nutricionais.
Os chamados inibidores da bomba de prótons (IBPs), classe que inclui o omeprazol, pantoprazol e esomeprazol, atuam reduzindo a acidez gástrica para tratar gastrites e refluxo. No entanto, a pesquisa mostrou que essa alteração no pH do estômago dificulta a absorção de minerais essenciais.
O estudo, feito em modelos animais, simulou o uso contínuo do medicamento por períodos equivalentes a tratamentos longos em humanos. Os resultados foram preocupantes:
A preocupação dos pesquisadores aumentou após a Anvisa liberar, em novembro de 2025, a venda de omeprazol 20mg sem necessidade de receita médica. Embora a agência recomende o uso por, no máximo, 14 dias para sintomas leves, a facilidade de compra pode estimular a automedicação por meses ou anos.
Segundo Andréa Santana de Brito, pesquisadora da Unifesp, o problema não é o remédio em si, mas o seu uso banalizado.
Seus efeitos adversos não devem ser negligenciados", alerta. Moléculas mais modernas e potentes, como o pantoprazol, podem ter efeitos colaterais ainda mais intensos e duradouros.
Orientação dos especialistas é clara: uso desses medicamentos deve ser racional. Pacientes que precisam do tratamento por longo prazo devem ter acompanhamento médico rigoroso, para avaliar a necessidade de suplementação de nutrientes.
* Com informações da Agência Fapesp