Transtorno afeta até 8% da população mundial; médica psiquiatra detalha sintomas e orienta sobre diagnóstico tardio na fase adulta

Esquecimentos frequentes, cansaço ao final do dia, procrastinação e dificuldade para cumprir prazos simples. Sintomas que, muitas vezes, são associados ao estresse do cotidiano podem ser, na verdade,sinais do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) em adultos.
A condição neurobiológica e genética afeta entre 5% e 8% da população mundial e tem registrado aumento na busca por diagnósticos.
A médica psiquiatra Ana Paula Ruocco detalha que o termo correto para definir a condição não é doença.
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento. Ele vem sendo muito falado, e aparecem muitos casos porque está mais divulgado, o que faz as pessoas procurarem mais tratamento", explica a médica.
Para confirmar a presença do transtorno, os sintomas característicos precisam se manifestar desde a infância, antes dos 12 anos, e persistir ao longo do tempo. O quadro costuma provocar prejuízos em diferentes áreas da vida, como na escola, no trabalho e no ambiente familiar.
De acordo com a médica psiquiatra, a descoberta do transtorno em homens e mulheres adultos ocorre frequentemente após o diagnóstico de um filho.
Muitos vêm pelos filhos, que foram diagnosticados com TDAH, e se veem naquela situação, percebendo que também passavam por aquilo. Existe uma parte genética muito forte no transtorno", relata Ana Paula Ruocco.
A busca por informações na internet e nas redes sociais também contribui para que mais pessoas se identifiquem com os sintomas de desatenção e busquem avaliação especializada.
O tratamento para o TDAH é individualizado e adaptado às necessidades de cada paciente. A abordagem terapêutica envolve o uso de medicamentos específicos, além de psicoterapia, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC), e estratégias de organização diária.
Esse processo de autoconhecimento foi transformador para a advogada Carla Araújo Galvão Wisniewski. Ela relata que começou a perceber lapsos frequentes de memória na própria rotina. "Comecei a perceber que eu tinha muitos esquecimentos e que, para mim, a agenda tinha que ser uma constante", conta a profissional.
Após o falecimento da mãe, em 2018, Carla notou uma exaustão intensa ao fim do dia. Ao analisar laudos médicos de processos em seu escritório de advocacia, ela passou a se identificar com as características descritas do transtorno e decidiu agendar uma consulta médica.
Com o diagnóstico confirmado e o tratamento correto iniciado, a advogada recuperou a qualidade de vida. "É muito importante a gente se conhecer. Nos conhecendo, nós vivemos melhor e tratamos as pessoas também de forma melhor", conclui Carla Araújo.