ALERTA

Erros na aplicação de toxina botulínica causam paralisia e risco de morte

Anvisa reforça que o procedimento é seguro quando feito corretamente, mas exige produtos registrados e profissionais habilitados


Redação
Publicado em 25/11/2025, às 17h40

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Erros na aplicação de toxina botulínica causam paralisia e risco de morte
Brasil tinha apenas 2 casos em 2024 e já soma 11, em 2025 - Sam Moghadam/Unsplash


Aumento expressivo de diagnósticos de botulismo iatrogênico acendeu alerta nas autoridades sanitárias brasileiras. Somente neste ano de 2025, o país já contabiliza 11 casos confirmados de intoxicação causada por tratamento médico inadequado, um salto significativo em relação a 2024 (ano em que ocorreram os primeiros casos), que teve apenas dois registros.

Diante desse cenário, a Anvisa e o Ministério da Saúde divulgaram, nesta terça-feira (25), a Nota Técnica Conjunta 405/2025. O documento visa orientar médicos e população sobre os perigos da aplicação incorreta da toxina botulínica, substância popularmente utilizada para fins estéticos e terapêuticos.

Onde está o perigo?

A doença é grave, não contagiosa e pode ser fatal, provocada pela ação da bactéria Clostridium botulinum.



Embora os medicamentos registrados na Anvisa sejam considerados seguros, o risco surge na forma como são administrados. O envenenamento geralmente ocorre por três falhas principais na aplicação:

  • Uso de doses excessivas;
  • Intervalos muito curtos entre as sessões;
  • Aplicação em condições inadequadas.

Esses erros permitem que a toxina se espalhe pela corrente sanguínea, atingindo outras partes do corpo além da área tratada e gerando efeitos sistêmicos severos.

Sinais de alerta no corpo

A identificação rápida dos sintomas é crucial. O paciente deve procurar um hospital imediatamente se, após o procedimento, notar alterações como visão borrada, pálpebras caídas ou começar a falar de forma arrastada.



O quadro pode evoluir para dificuldade de engolir e respirar, culminando, nos casos mais críticos, em paralisia muscular e morte. Em situações de emergência, o tratamento pode exigir a administração urgente de antitoxina botulínica.

Cenário global

O problema não é exclusivo do Brasil. A nota técnica cita surtos recentes no exterior, identificados na Turquia, em 2023, nos Estados Unidos, em 2024, e no Reino Unido já em 2025. Por aqui, a investigação aponta que a maioria das ocorrências está ligada ao uso da toxina tipo A.

Desde março, a Anvisa determinou que as bulas desses produtos fossem atualizadas para deixar mais claro o risco de botulismo, alertando que os efeitos adversos podem aparecer horas ou até semanas após a injeção.



O que fazer?

As autoridades reforçam que todo evento adverso deve ser comunicado ao sistema VigiMed, mesmo sem confirmação definitiva.

Para quem vai se submeter ao procedimento, a regra de ouro é verificar se o produto está dentro da validade, se é aprovado pela Anvisa e se a clínica e o profissional são devidamente habilitados e autorizados pela vigilância sanitária.

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