Médica especialista no assunto destaca riscos da queda na cobertura vacinal e reforça o papel do Brasil como referência em imunização

O recente anúncio do governo dos Estados Unidos sobre vacinação pediátrica reacendeu o debate sobre os riscos da queda nas coberturas vacinais e seus impactos diretos na saúde infantil. Decisão deixa de recomendar a imunização universal contra seis doenças.
Mudanças no calendário federal estadunidense de vacinação infantil foram anunciadas na segunda-feira (5); entre as seis imunizações agora não obrigatórias está a influenza, uma infecção aguda do sistema respiratório, provocado pelo vírus influenza, com grande potencial de transmissão.
No Brasil, o calendário vacinal segue inalterado e baseado em evidências científicas consolidadas. O Programa Nacional de Imunização (PNI) continua sendo considerado um dos mais completos e referência mundial em proteção coletiva.
Para a médica Rosane Orth Argenta, sócia-fundadora e CEO da Saúde Livre Vacinas, a decisão norte-americana representa um retrocesso do ponto de vista da saúde pública.Segundo ela, a queda na cobertura favorece o retorno de doenças controladas, como o sarampo e a coqueluche, além de aumentar hospitalizações por rotavírus.
A médica cita exemplos recentes que reforçam essa preocupação, como o reaparecimento do sarampo em países desenvolvidos e o aumento das hospitalizações por rotavírus, fenômenos diretamente associados à queda da vacinação. Para ela, a infância é o período mais crítico de proteção imunológica.
“Os primeiros anos de vida são de maior vulnerabilidade. Reduzir a exigência de vacinas como meningocócica, rotavírus, VSR e outras do calendário infantil expõe crianças a riscos desnecessários, especialmente em um mundo com intensa mobilidade global”, afirma.
Segundo a doutora, a vacinação não deve ser tratada apenas como uma escolha individual, mas como uma estratégia coletiva de proteção. "Vacinação não é apenas escolha individual, é estratégia de saúde coletiva. Reduzir a exigência vacinal é enfraquecer a proteção da sociedade como um todo", afirma.
Drª. Rosane ressalta ainda a importância das vacinas. “As vacinas são uma das ferramentas mais eficazes já criadas pela medicina moderna. Elas protegem o indivíduo e criam a imunidade coletiva, que interrompe a circulação de agentes infecciosos. Quando a cobertura vacinal diminui, aumentam os surtos e epidemias, e quem mais sofre são os grupos vulneráveis”, explica.
“Os primeiros anos de vida são de maior vulnerabilidade. Reduzir a exigência de vacinas como meningocócica, rotavírus, VSR e outras do calendário infantil expõe crianças a riscos desnecessários, especialmente em um mundo com intensa mobilidade global”, afirma.
Em contraste com a flexibilização adotada nos Estados Unidos, o Brasil mantém um calendário robusto, estruturado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), que contempla vacinas desde o nascimento até a adolescência.
Entre elas estão BCG; hepatite B; poliomielite; pentavalente; pneumocócica; meningocócica; rotavírus; febre amarela; tríplice viral; DTP; influenza; covid-19 e HPV.
“Saúde pública precisa ser guiada por evidência científica, não por pressões ideológicas, culturais ou eleitorais. O Brasil construiu, ao longo de décadas, um dos programas de imunização mais completos do mundo, e isso precisa ser defendido”, reforça Rosane Argenta.
A importância da vacinação infantil está diretamente ligada à prevenção de doenças graves e evitáveis. As vacinas preparam o sistema imunológico para combater vírus e bactérias antes mesmo do contato com o agente infeccioso, reduzindo complicações, internações e óbitos.
Além disso, quando a maioria da população está imunizada, forma-se a chamada imunidade de rebanho, que protege também bebês, idosos e pessoas imunossuprimidas.
A médica ressalta que a desinformação é hoje um dos principais desafios. Fake news sobre vacinas, especialmente nas redes sociais, contribuem para a hesitação vacinal e para o retorno de doenças que já estavam controladas. "A desinformação faz com que as pessoas deixem de se vacinar, expondo crianças, idosos e pessoas com comorbidades a complicações graves", afirma.
“A falta de vacinação não é uma escolha neutra. Ela traz consequências individuais, como maior risco de internação, sequelas permanentes e até morte, e impactos coletivos, como surtos, epidemias e sobrecarga do sistema de saúde”, alerta a Drª. Rosane.
Nesse contexto, o papel dos profissionais de saúde é fundamental. Segundo a médica, profissionais em imunização têm a missão de produzir e divulgar informações qualificadas, acolher dúvidas e orientar a população com base na ciência, ajudando a restaurar a confiança nas vacinas.
“A liberdade de escolha não pode custar a segurança das crianças. Vacinas salvam vidas e isso não é opinião, é ciência”, conclui.