Dados do INSS revelam alto índice de afastamentos por transtornos ansiosos e depressivos ligados ao ambiente de trabalho no país

O cansaço que não melhora, a irritabilidade constante e a perda de interesse por atividades antes prazerosas podem ser sinais de um alerta grave: a síndrome de Burnout. A condição, diretamente ligada ao esgotamento mental e físico, afasta milhares de profissionais do mercado de trabalho todos os anos e exige atenção imediata.
Apenas em 2025, o Brasil registrou mais de 157 mil afastamentos do trabalho por transtornos ansiosos e 122 mil por episódios depressivos. Os dados são da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), com base nos registros do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A psiquiatra Ana Paula Nonato Matsumota explica que o quadro decorre de autocobrança excessiva, pressão do ambiente e sobrecarga de funções.
A gente acumula um monte de coisas diariamente, tanto como funcionário quanto em casa. Mas o burnout tem relação direta com o trabalho. É uma sobrecarga que leva a um problema emocional", detalha a médica.
A advogada Vanessa Chaves Jerones viveu os impactos da síndrome na pele. Ela relata que sentia aperto no peito, dores de cabeça e tensão nos ombros, mas ignorava os sintomas iniciais. "Eu achava que aquilo era normal, que eu tinha que trabalhar. Queria dar a resposta mais rápida possível aos meus clientes, mas infelizmente não dá", conta.
O limite físico chegou com uma hérnia no estômago, que a fez passar quatro noites em claro, até ser alertada pelo marido sobre a gravidade da situação. Vanessa confessa que havia perdido a vontade de sorrir e passear.
Buscar auxílio psiquiátrico ou psicológico logo nos primeiros sinais é fundamental. Segundo a psiquiatra, a ajuda profissional acelera a recuperação e ensina o paciente a organizar a rotina, priorizar o lazer e impor pausas necessárias.
Para muitos, o maior obstáculo ainda é o preconceito. A advogada Vanessa ressalta a urgência de quebrar esse estigma na sociedade.
Temos uma cultura antiga de que as pessoas que procuram psiquiatra são loucas, e não é nada disso. Precisamos pensar na nossa saúde mental, porque ela faz com que tenhamos uma saúde física perfeita", conclui.
*Com informações do jornalista Jefferson Santos, para o Jornal Litoral, da TV Cultura Litoral e Vale.