VERÃO

Calor e desidratação aumentam risco de AVC; saiba identificar os sinais

Casos de derrame chegam a dobrar nesta época do ano devido à combinação de altas temperaturas, consumo de álcool e abandono de medicamentos


Redação
Publicado em 21/12/2025, às 14h46

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Calor e desidratação aumentam risco de AVC; saiba identificar os sinais
Esquecer remédios e beber álcool aumenta chance de AVC, diz especialista - Tomaz Silva/Agência Brasil


A chegada do verão exige atenção redobrada não apenas com a pele, mas com a saúde vascular. O neurocirurgião Orlando Maia, do hospital Quali Ipanema, alerta que o calor excessivo é um dos principais fatores que predispõem o aumento de casos de acidente vascular cerebral (AVC) nesta época do ano.

Segundo o especialista, o aumento da temperatura ambiente gera desidratação natural das células. Esse processo torna o sangue mais espesso (concentrado), facilitando a coagulação e, consequentemente, a trombose, entupimento de vaso que caracteriza o AVC isquêmico, tipo responsável pela maioria dos casos.

Perigo da 'pressão baixa' e álcool

Além da desidratação, o calor provoca a vasodilatação (dilatação dos vasos sanguíneos para compensar a temperatura), o que tende a baixar a pressão arterial.



Essa dilatação causa uma diminuição da pressão, o que favorece também a formação de coágulo e de uma outra situação cardiológica, chamada arritmia", explica Maia.

Quando o coração bate fora do ritmo (arritmia), aumenta o risco de um coágulo se formar e viajar pela circulação até o cérebro.

O comportamento durante as férias também agrava o cenário. O aumento do consumo de bebidas alcoólicas amplia a desidratação e eleva a possibilidade de arritmia cardíaca. Além disso, a rotina relaxada das férias leva muitos pacientes a esquecerem de tomar seus remédios de uso contínuo.

Jovens na mira e estatísticas

O impacto do verão é visível nos hospitais. No hospital Quali Ipanema, por exemplo, o atendimento a casos de AVC chega a dobrar nesta época, saltando para cerca de 30 pacientes por mês.



O médico alerta ainda que o estilo de vida moderno, somado ao tabagismo e doenças crônicas, tem feito com que cada vez mais pessoas com menos de 45 anos desenvolvam a doença. O fumo, especificamente, bloqueia a elastina dos vasos e favorece tanto o AVC hemorrágico (rompimento do vaso) quanto o isquêmico.

Sintomas: tempo é cérebro

Identificar os sinais rapidamente é crucial para evitar sequelas graves ou morte. Os principais sintomas de um AVC incluem:

  • Paralisia súbita de um membro ou de um lado do corpo;
  • Fala enrolada ou dificuldade de comunicação;
  • Perda de visão em um dos olhos;
  • Tontura extrema ou perda súbita de consciência.
Nessa situação, não tem que esperar nada. A pessoa tem que ser levada a um hospital porque é uma emergência médica", enfatiza o neurocirurgião.

Atualmente, existem dois tratamentos principais que dependem da agilidade do socorro:



  • Infusão de remédio: medicamento na veia dissolve o coágulo. Só pode ser aplicado até 4 horas e meia após o início dos sintomas.
  • Cateterismo (trombectomia): aparelho entra pela virilha para aspirar o coágulo mecanicamente. Em casos selecionados, pode ser feito até 24 horas após os sintomas.

* Com informações da Agência Brasil

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