Imunizante desenvolvido pela UFMG terá investimento previsto de R$ 12 milhões do Ministério da Saúde para a realização de ensaios clínicos
Redação
Publicado em 11/10/2026, às 08h42

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos testes em humanos da Vivaxin, vacina experimental contra a malária causada pelo parasita Plasmodium vivax.
Desenvolvido com tecnologia 100% nacional, o imunizante é considerado pioneiro por ser direcionado à espécie responsável pela maioria dos casos da doença registrados no Brasil.
A vacina é resultado de pesquisas realizadas pelo Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Segundo o Ministério da Saúde, o projeto tem incentivo previsto de R$ 12 milhões da pasta para a realização dos ensaios clínicos das fases I, II e III.
Nesta primeira etapa, o estudo avaliará a segurança do imunizante, as possíveis reações à aplicação e sua capacidade de estimular uma resposta imunológica.
De acordo com o ministério, participarão 48 voluntários com idades entre 18 e 59 anos, sem histórico de infecção prévia pela doença.
O acompanhamento clínico dos participantes será realizado durante 360 dias. Os resultados dessa fase deverão contribuir para a avaliação da segurança da vacina e para o planejamento das próximas etapas de desenvolvimento.
Em comunicado, o Ministério da Saúde destacou a importância do avanço científico diante da ocorrência da doença no país. Em 2025, o Brasil registrou 118.037 casos de malária.
A Vivaxin tem como alvo o Plasmodium vivax, espécie de parasita que predomina nas Américas e em partes da Ásia.
Atualmente, as duas vacinas contra a malária recomendadas por autoridades sanitárias foram desenvolvidas para combater outra espécie, o Plasmodium falciparum, predominante na África.
O desenvolvimento de um imunizante específico contra o P. vivax representa uma possibilidade de ampliar as estratégias de prevenção da doença, especialmente em regiões onde esse parasita é responsável pela maior parte das infecções.
A autorização para os testes em humanos, no entanto, não significa que a vacina já esteja disponível para a população. O imunizante ainda precisa passar pelas etapas de avaliação clínica, que verificam sua segurança e eficácia antes de uma eventual aprovação para uso.
A malária é uma doença infecciosa causada por parasitas do gênero Plasmodium.
A transmissão ocorre principalmente pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles, conhecido popularmente como mosquito-prego. Esses insetos costumam ser mais ativos nos períodos próximos ao amanhecer e ao entardecer.
De acordo com o Ministério da Saúde, a doença não é contagiosa. Isso significa que uma pessoa infectada não transmite malária diretamente para outra por meio do contato cotidiano.
A enfermidade também é conhecida por outros nomes, como impaludismo, paludismo, febre palustre, maleita, sezão e tremedeira.
Qualquer pessoa pode contrair malária. Quem já teve vários episódios da doença pode desenvolver imunidade parcial, apresentando sintomas mais leves ou até mesmo nenhum sintoma em determinadas infecções. Entretanto, segundo o ministério, não foi observada uma imunidade capaz de garantir proteção completa contra a doença.
A pasta também alerta que, quando não recebe tratamento adequado, uma pessoa infectada pode permanecer como fonte de infecção por meses ou até anos, dependendo da espécie do parasita envolvida.
No Brasil, a maior parte dos registros de malária está concentrada na região amazônica, que abrange os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Apesar da menor quantidade de notificações, a doença também ocorre na região extra-amazônica, formada pelas demais unidades da Federação.
Nesses locais, o Ministério da Saúde alerta que a letalidade é maior do que na região amazônica, o que reforça a importância do diagnóstico e do tratamento adequados.
O avanço das pesquisas com a Vivaxin poderá contribuir para o desenvolvimento de uma nova ferramenta de prevenção contra a malária causada pelo Plasmodium vivax. A possibilidade de uso da vacina, porém, dependerá dos resultados dos estudos clínicos e das avaliações regulatórias necessárias.
Com informações da Agência Brasil