Empresa especializada em logística no maior porto da América Latina incentiva a inclusão feminina em um setor ainda dominado por homens

O porto de Santos, litoral paulista, conhecido como o maior complexo portuário da América Latina, desponta também como um polo de inovação. Nesse cenário, o trabalho feminino amplia sua presença em empresas de tecnologia voltadas para as operações logísticas, com o objetivo de transformar um mercado tradicionalmente masculino.
A empresa Mosten, instalada na cidade, desenvolve soluções sob medida para toda a cadeia logística, com atendimento focado em armadores, terminais portuários e despachantes alfandegários.
O CEO da companhia, Danilo Abbondanza, detalha o foco dos serviços oferecidos. "Todos eles, a gente atua muito com foco em automação, inteligência artificial, em operações com equipamentos, com software, com dados, com tomada de decisão", explica o executivo. A empresa atende clientes no Brasil e em Portugal e conta com cerca de 200 funcionários.
Para atrair e reter talentos femininos, a gestão investe em um ambiente humanizado e focado no bem-estar. A gestora de pessoas da companhia, Fabiana Rebouças, destaca a visão do negócio. "A gente olha para as pessoas além da entrega", afirma a profissional. Atualmente, as mulheres representam 31% do quadro de funcionários da empresa, e, desse total, 14% ocupam posições de liderança.
A área de tecnologia portuária ainda impõe desafios. Fabiana aponta que a dificuldade de encontrar profissionais começa na formação acadêmica, etapa em que as mulheres costumam sofrer desestímulos para seguir a carreira. Para mudar essa realidade, a companhia promoveu recentemente o evento Womantech, um encontro voltado para a troca de experiências inspiradoras entre líderes femininas do setor.
A atuação conjunta na rotina de trabalho também facilita a adaptação das novas funcionárias. A profissional de UX Designer Thaísa Souza, moradora de Guarujá, lembra o choque inicial ao ingressar no mercado corporativo. "Eu entrei na sala e era tipo 20 homens para 10 mulheres. Mas algo que eu senti desde o início, entrando nessa área, é que nós nos ajudamos muito", conta a designer, que formou grupos de estudos com as colegas para fortalecer a presença e a confiança feminina no ambiente.
*Com informações do jornalista Alex Castro, para o Jornal Litoral, da TV Cultura Litoral e Vale