ELEIÇÕES 2026

Última eleição presidencial decidida no 1º turno ocorreu há 28 anos; veja quem conseguiu

Lula era candidato, mas perdeu para Fernando Henrique Cardoso, na última eleição decidida no 1º turno; pesquisas de 2026 mostram presidenciáveis distantes da maioria absoluta

Imagem mostra uma montagem com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à esquerda e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à direita
Candidatos Lula e Flávio Bolsonaro constam em 1º e 2º lugares; país não define disputa no 1º turno desde 1998 - Foto: Agência Brasil


O Brasil não elege presidente da República no primeiro turno há 28 anos. O último feito ocorreu em 4 de outubro de 1998, quando Fernando Henrique Cardoso (PSDB) conquistou a reeleição sem precisar de nova votação. Desde então, as seis eleições presidenciais seguintes no país foram decididas no segundo turno.

Naquela eleição, FHC recebeu 35.936.916 votos, o equivalente a 53,06% dos votos válidos. O principal adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), obteve 31,71%. Como Fernando Henrique ultrapassou a metade dos votos válidos, a disputa terminou no primeiro turno. Dados históricos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmam a eleição de FHC em 4 de outubro de 1998 e o total de votos obtidos.

Quatro anos antes, Fernando Henrique também obteve vitória sem segundo turno. Em 1994, recebeu 54,3% dos votos válidos. A sequência não voltou a ocorrer: as eleições de 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022 exigiram segunda votação para definir a presidência.

O que é necessário para vencer no primeiro turno?

Pela Constituição, não basta que o candidato termine em primeiro lugar. Para a eleição de presidente no primeiro turno, é necessário obter mais da metade dos votos válidos, desconsiderados brancos e nulos. Caso ninguém alcance a maioria absoluta, os dois candidatos mais votados avançam para o segundo turno.

Em 2026, o primeiro turno está marcado para 4 de outubro, enquanto eventual segundo turno ocorrerá em 25 de outubro. Segundo o TSE, 158.765.543 eleitores estão aptos a votar neste ano em todo o país

Por que não tem segundo turno para senadores e deputados?

Nas eleições gerais, apenas as disputas para presidente da República e governador podem chegar ao segundo turno. Isso ocorre porque, para esses cargos, a legislação exige maioria absoluta dos votos válidos, ou seja, mais de 50%, sem contar brancos e nulos.



Se nenhum candidato alcançar esse patamar no primeiro turno, os dois mais votados voltam às urnas. A mesma lógica vale nas eleições municipais para prefeito de cidades com mais de 200 mil eleitores.

  • Leia também:

Para senadores e deputados, a definição ocorre no primeiro turno, mas por regras diferentes. Senadores são escolhidos pelo sistema majoritário de maioria simples: em 2026, como cada estado e o Distrito Federal elegem dois senadores, ficam com as vagas os dois candidatos mais votados, sem necessidade de superar 50%. 

Já os deputados federais, estaduais e distritais são eleitos pelo sistema proporcional, no qual os votos recebidos pelos candidatos e pelas legendas ajudam a determinar quantas cadeiras cada partido ou federação conquista; depois, as vagas são preenchidas conforme as regras de votação dentro de cada legenda. Por isso, também não existe segundo turno para deputado.



O que mostram as pesquisas de setembro de 2026?

A comparação com as pesquisas mais recentes ajuda a dimensionar a diferença entre intenção de voto e o percentual necessário para uma vitória antecipada. Os levantamentos, porém, representam fotografias do momento em que as entrevistas foram realizadas e não são previsões do resultado da eleição. 

No Datafolha, divulgado em 17 de setembro, Lula (PT) registrou 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) apareceu com 36%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o que indica empate técnico nesse levantamento.

A AtlasIntel/Bloomberg, também divulgada em 17 de setembro, apontou Lula com 44,1% dos votos totais e Flávio Bolsonaro com 41,7%. Ao considerar somente os votos válidos — critério utilizado para definir a eleição —, os percentuais passam para 45% e 42,6%, respectivamente. A pesquisa ouviu 5.018 pessoas entre 11 e 16 de setembro e tem margem de erro de um ponto percentual.



A pesquisa CNT/MDA, divulgada em 15 de setembro, registrou Lula com 40,5% e Flávio Bolsonaro com 30,4%. O levantamento ouviu 2.002 eleitores entre 9 e 13 de setembro e apresenta margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

Na Quaest, divulgada em 14 de setembro, Lula marcou 36%, contra 31% de Flávio Bolsonaro. O instituto entrevistou 2.004 eleitores entre 10 e 13 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Pesquisas indicam eleição definida no primeiro turno?

Os levantamentos não permitem afirmar com antecedência se haverá segundo turno. Os institutos apresentam percentuais diferentes porque utilizam amostras, períodos de coleta e metodologias próprias.



Para mais conteúdos

Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!