Procuradoria aciona Márcio Cabeça por omissão na manutenção de imóveis; prejuízo estimado aos cofres municipais é de R$ 4,25 milhões

O estado de deterioração de diversos imóveis públicos de Mongaguá, litoral de São Paulo, virou caso de Justiça. O ex-prefeito Márcio Melo Gomes, conhecido como "Márcio Cabeça”, responsável pela gestão pública entre 2018 e 2024, é alvo de nova ação civil pública sob a acusação de abandonar o patrimônio municipal e causar um prejuízo estimado em R$4,25 milhões aos cofres da cidade.
A ofensiva judicial parte da atual administração da prefeitura. Segundo a procuradoria do município, houve omissão intencional (dolo) na manutenção de equipamentos essenciais durante os últimos dois anos do mandato anterior, entre 2023 e 2024. Os dados que embasam o processo constam em um relatório de auditoria interna e em laudos técnicos assinados por engenheiros da gestão municipal.
O acúmulo de acusações chama a atenção: esta é a sexta ação movida pela prefeitura contra o ex-chefe do Executivo em apenas dez meses. Os processos miram supostos atos de improbidade administrativa. Agora, o município pede à Justiça que Márcio Cabeça ressarça integralmente os danos, perca eventuais funções públicas que ocupe, pague multa civil e tenha os direitos políticos suspensos por até 14 anos.
A lista de locais afetados, detalhada na denúncia, revela um cenário que prejudica diretamente o atendimento à população. Documentos da auditoria apontam desde infiltrações graves até o risco iminente de colapso estrutural. Confira os casos listados pela atual gestão:
Para reforçar a acusação, a prefeitura anexou pareceres desfavoráveis do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) referentes aos balanços de 2021 e 2022. O órgão estadual já havia alertado o ex-prefeito sobre a falta de segurança contra incêndios, evidenciada pela ausência do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) nos prédios, e a urgência de reformas em escolas. Para a equipe jurídica do município, ignorar esses alertas comprova a negligência proposital da antiga gestão.
Herdeira desse cenário financeiro e estrutural, a atual administração trabalha sob decreto de calamidade pública desde julho de 2025, com validade estendida para o fim de 2026.
De acordo com o procurador-geral de Mongaguá, Sandro Abreu, acionar a Justiça é um rito obrigatório para proteger o erário público. "As medidas judiciais têm como objetivo responsabilizar os agentes envolvidos e demonstrar aos órgãos de controle, como o TCE e o Ministério Público, que o município adota providências para apurar os fatos", concluiu.