COLUNA Cláudio Coletti - CPI com estragos imprevisíveis


Costa Norte
Publicado em 20/04/2012, às 08h27 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h00

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> O jornalista exerce a função de assessoria de imprensa no Congresso Nacional, em Brasília (DF). E-mail:[email protected]

CPI com estragos imprevisíveis O Palácio do Planalto tentou mas não obteve êxito na manobra para evitar a formação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) Mista para investigar as relações obscuras do contraventor goiano Carlinhos Cachoeira com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de segmentos empresariais. Os governistas buscam agora não perder o controle dos trabalhos da CPI que foi instalada nesta quinta-feira (18). Os deputados e senadores da base aliada que integrarão a CPI serão de inteira confiança do Palácio do Planalto, ou seja, será uma tropa de choque fiel à presidenta Dilma Rousseff. O receio é que as investigações cheguem às grandes construtoras que tocam as obras bilionárias do PAC. O grupo empresarial mais visado é o da Delta Engenharia, que lidera a lista de doadoras de campanhas eleitorais em todo o país. Essa empresa hoje domina a coleta de lixo no Distrito Federal, cujo contrato conseguiu em razão de ligações delituosas com o grupo do governador Agnelo Queiroz, do PT. A abertura da CPI foi apoiada por 340 deputados e 54 senadores. Ela será presidida por um senador do PMDB e terá como relator um deputado do PT. Os partidos têm prazo até a próxima terça-feira (24) para indicar os parlamentares que vão integrá-la. Na opinião de políticos experientes, a CPI será uma metralhadora giratória, alcançando vítimas por todos os lados. Terá gosto para todos os paladares. Os estragos definitivos só serão conhecidos no final dos seus trabalhos. Certamente, ela vai servir para um ajuste de contas entre o PSDB e o PT, e para a formação do cenário da sucessão presidencial em 2014. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ao ser homenageado na Câmara, na terça (17), foi incisivo: “O país está cansado do grau de corrupção existente. Eu não estou criticando A, B ou C. Infelizmente, atinge quase todos os partidos.” Já o conhecido deputado Romário, que foi astro da seleção brasileira, pelo Twitter, fez um alerta sobre os riscos das investigações: “Essa CPI do Cachoeira vai dar m... Acabou tomando uma proporção que ninguém esperava.”

Consequências à vista A CPI terá o prazo de 180 dias para realizar as investigações, que vão ocorrer em clima tenso e com pressão da sociedade. Vai tumultuar a campanha eleitoral que se avizinha, ofuscará votações importantes no Congresso Nacional, dará dores de cabeça para a presidenta Dilma e tomará atenção especial da mídia nacional até o fim do ano. Há quem acredita que a direção do PT passou defender a instalação da CPI só para criar um espetáculo de longa duração, a fim de não permitir que o julgamento do “processo do mensalão” pelo STF (Supremo Tribunal Federal), previsto para maio próximo, monopolize as atenções da opinião pública neste ano eleitoral. Já o senador Pedro Simon (PMDB-RS), no Senado, tem procurado mobilizar as redes sociais a acompanharem e pressionarem os trabalhos da CPI. Dirigiu apelo à OAB e à CNBB para que participem do movimento de pressão, tal como fizeram na mobilização popular que culminou com a aprovação da Lei da Ficha Limpa.



Demóstenes no Conselho de Ética O senador Demóstenes Torres, que deu origem à CPI do Cachoeira, informou que na próxima semana apresentará sua defesa no processo que foi aberto no Conselho de Ética do Senado para cassar o seu mandato. E foi arrogante: “vou provar minha inocência no mérito. Provarei que sou inocente.” É voz corrente no Congresso que alguns senadores já admitem que não irão votar pela cassação do senador goiano, levando em conta o fato de não poderem sair por ai alardeando não terem “telhado de vidro”, podendo, assim, a qualquer momento passarem pelas mesmas dificuldades hoje enfrentadas por Demóstenes. “Eu poderei ser o Demóstenes de amanhã” – é o raciocínio deles.

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