12 DE OUTUBRO

Nossa Senhora Aparecida: história da padroeira do Brasil é marcada pela fé e devoção popular

Encontrada por pescadores no Rio Paraíba do Sul, em 1717, imagem se tornou símbolo da fé católica; devoção à Virgem Maria se espalhou pelo país


Redação
Publicado em 12/10/2026, às 08h30


Nossa Senhora Aparecida
Data passou a integrar o calendário religioso e cultural brasileiro, reunindo celebrações em paróquias e santuários de diferentes regiões - José Cruz/Agência Brasil


A história de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil, começou em 1717, quando três pescadores encontraram uma pequena imagem de barro nas águas do Rio Paraíba do Sul, no interior de São Paulo.

Desde então, a devoção à Virgem Maria se espalhou pelo país, reunindo milhões de fiéis que recorrem à santa em busca de proteção, agradecimento por graças alcançadas e renovação da fé.

O episódio ocorreu quando Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso navegavam pelo rio em busca de peixes.

Após várias tentativas sem sucesso, os homens encontraram uma imagem submersa. Ao retirá-la da água, perceberam que se tratava de uma representação de Nossa Senhora da Conceição. A partir daquele momento, passaram a chamá-la de Aparecida.

O achado marcou a vida dos pescadores, que começaram a relatar graças e milagres atribuídos à intercessão da Virgem.

Os relatos se espalharam pela região e atraíram devotos de diferentes partes do Brasil, dando início às romarias que, ao longo dos séculos, consolidaram a cidade de Aparecida como um dos principais destinos de peregrinação religiosa do país.



Nossa Senhora Aparecida se torna padroeira do Brasil

Mais de dois séculos após o encontro da imagem, a devoção ganhou reconhecimento oficial da Igreja Católica. Em 1930, o papa Pio XI assinou o decreto que proclamou Nossa Senhora da Conceição Aparecida padroeira do Brasil.

A cerimônia solene ocorreu em 1931, no Rio de Janeiro, então capital federal, diante de aproximadamente 1 milhão de pessoas. Na ocasião, o decreto pontifício foi lido publicamente, oficializando a Virgem Maria, sob o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, como padroeira da nação brasileira.

Durante a celebração, também foram acrescentadas ao manto da imagem as bandeiras do Brasil e do Vaticano, reforçando a ligação entre a devoção mariana, a identidade nacional e a Igreja Católica.



Décadas depois, em 1980, durante a primeira visita do papa João Paulo II ao Brasil, o dia 12 de outubro foi instituído oficialmente como feriado nacional em homenagem à padroeira. A data passou a integrar o calendário religioso e cultural brasileiro, reunindo celebrações em paróquias e santuários de diferentes regiões.

Santuário Nacional recebe milhões de peregrinos

A devoção a Nossa Senhora Aparecida permanece presente na vida de milhões de brasileiros. Todos os anos, cerca de 10 milhões de peregrinos visitam o Santuário Nacional de Aparecida, localizado no interior de São Paulo, para participar de missas, cumprir promessas, agradecer por graças alcançadas e apresentar pedidos à santa.

O dia 12 de outubro concentra uma programação especial de celebrações religiosas e homenagens à padroeira. A data também mobiliza romeiros que percorrem longas distâncias a pé, de bicicleta ou em outros meios de transporte para chegar ao santuário.



Além da importância religiosa, a história da imagem se tornou parte da tradição cultural brasileira. O episódio dos pescadores e a origem da devoção são transmitidos entre gerações, mantendo viva uma manifestação de fé que ultrapassa os limites da cidade de Aparecida.

Devoção ultrapassa as fronteiras brasileiras

Para dom Vilson Dias de Oliveira, bispo emérito de Limeira (SP) e membro da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida tem um significado que vai além do território nacional. Em carta, o religioso descreve a devoção como um “farol espiritual” para o catolicismo e destaca a atenção da santa aos pequenos e pobres.

“O achado da pequena imagem nas águas do Rio Paraíba do Sul não inaugurou apenas um capítulo na história da fé nacional, mas inscreveu no patrimônio da Igreja um acontecimento profundamente teológico: a manifestação da solicitude de Maria pelos pequenos, pelos descartados e pelos continentes que buscam a sua libertação e unidade no Evangelho de Cristo”, escreveu.



Segundo o bispo emérito, a devoção também tem um significado especial para a América Latina, região marcada por desigualdades sociais e por uma forte tradição de religiosidade popular.

“O continente latino-americano, marcado por feridas históricas de desigualdade, mas iluminado por uma piedade popular fervorosa, encontra na Virgem de barro negro a expressão viva do rosto da própria Igreja continental”, afirmou.

Na avaliação de dom Vilson, a imagem de Aparecida representa a manifestação da grandeza divina por meio da simplicidade e da humildade.



Para ele, a pequena escultura encontrada nas águas do rio simboliza uma mensagem de esperança e proximidade com as populações mais vulneráveis.O religioso também ressaltou que a evangelização precisa considerar a realidade social e cultural dos povos, valorizando suas experiências e tradições.

“Que as comunidades espalhadas por todo o Brasil e pelos países irmãos da América Latina não temam dar este passo audacioso. Diante dos desafios sociais, econômicos e espirituais que marcam o nosso tempo, a Virgem Aparecida nos recorda que Deus continua a realizar suas maiores maravilhas por meio dos humildes e organizados em comunidade”, concluiu.

A celebração de Nossa Senhora Aparecida, portanto, reúne história, tradição e religiosidade popular. Mais de 300 anos após o encontro da imagem no Rio Paraíba do Sul, a padroeira continua sendo referência de fé para milhões de brasileiros e símbolo de devoção que atravessa gerações.



Com informações da Agência Brasil

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