Trabalhadores mantêm mobilização após rejeição de proposta da Caixa, enquanto unidades apresentam retomadas pontuais

A greve dos empregados da Caixa Econômica Federal chega ao 14º dia, nesta quarta-feira (23), sem data definida para o encerramento da paralisação. Os trabalhadores iniciaram o movimento em 10 de setembro e, segundo as informações divulgadas pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, a mobilização continua após a rejeição da última proposta apresentada pela instituição.
Somente no Sudeste, 293 agências estão fechadas, distribuídas entre as sete regionais acompanhadas pelo sindicato. Apesar da continuidade da paralisação, algumas unidades registraram retomadas pontuais e aumento no número de empregados trabalhando presencialmente.
A categoria reivindica avanços nas negociações para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Segundo o sindicato, a última proposta apresentada pela Caixa foi rejeitada por 59,3% dos votos.
Na Regional Paulista, das 33 agências acompanhadas, apenas uma funcionava parcialmente na terça-feira (22). Outras duas registraram aumento no número de empregados dentro das unidades. Nas demais, a paralisação continuava, com algumas agências contando apenas com o gerente-geral presencialmente.
Nas concentrações, a adesão era menor. Em um prédio da rua Gentil de Moura, que reúne cerca de 80 empregados, 35 estavam trabalhando presencialmente e os demais em home office. Em outra concentração, com aproximadamente 700 empregados, a maioria também trabalhava remotamente.
Na Regional Centro, os prédios São Joaquim e Sé permaneceram fechados. Entre as 23 agências acompanhadas, uma estava totalmente fechada, uma aberta e outras 21 parcialmente fechadas. Segundo o levantamento, não houve conflitos com clientes, bancários ou ocorrências policiais.
A Regional Oeste manteve as 38 agências acompanhadas fechadas e sem atendimento ao público. A paralisação também continuou na Superintendência Regional de Varejo, que reúne 16 trabalhadores na área de atacado.
Na Regional Leste, apenas uma das 82 agências acompanhadas havia reaberto. Em algumas unidades, houve tentativa de retorno de gerentes, mas os trabalhadores decidiram manter a greve. A mobilização também continuou na concentração da Superintendência Regional da Penha e no prédio do Brás.
Na Regional Norte, as 37 agências acompanhadas permaneciam fechadas na terça-feira. Segundo o sindicato, não houve intercorrências durante a mobilização.
Na Regional Osasco, uma agência localizada em Santana de Parnaíba reabriu. As demais continuaram fechadas ao público, embora tenha aumentado o número de empregados dentro das unidades. O levantamento apontou crescimento de aproximadamente 25% no número de trabalhadores no interior das agências.
Já na Regional Sul, apenas uma agência, localizada na Vieira de Moraes, retomou o atendimento. Na unidade, três gerentes, um gerente-geral e um tesoureiro estavam trabalhando. Nas demais unidades acompanhadas, a paralisação continuou.
A paralisação ocorre durante as negociações para renovação do ACT. Entre os pontos apresentados na última proposta da Caixa estava a ampliação de 6,5% para 9% do teto de participação do banco no custeio do Saúde Caixa, com impacto na folha a partir de 2027.
A proposta também previa a manutenção do pacto intergeracional e do plano de saúde no acordo coletivo. Para 2026, não haveria reajuste nas mensalidades do Saúde Caixa, enquanto a instituição assumiria o déficit do plano.
A partir de 2027, a contribuição do titular seria de 3,7% da remuneração-base. Para dependentes diretos, a mensalidade seria de R$560. Filhos de 21 a 24 anos, classificados como dependentes indiretos, pagariam R$660, enquanto filhos de 24 a 27 anos e pais ou mães remanescentes teriam mensalidade de R$900.
A proposta também previa redução para R$120 na cobrança por consultas em pronto atendimento e manutenção da isenção de coparticipação na telemedicina.
A Caixa também apresentou mudanças relacionadas ao Super Caixa, algumas com previsão de aplicação ainda no segundo semestre de 2026. Entre elas estava a alteração no critério de habilitação dos empregados, que passaria a considerar o NS individual, em vez da nota da unidade.
O objetivo apresentado era evitar que toda a agência fosse penalizada por ocorrências relacionadas a apenas um empregado. O CSAT, indicador de satisfação do cliente, deixaria de ser aplicado individualmente aos demais empregados e permaneceria para o gestor-chefe. A habilitação inicial no programa também garantiria 50% da premiação, em vez dos atuais 25%.
A Caixa ainda teria se comprometido a acelerar a atualização de vendas e resultados no painel do programa. Quando não fosse possível fazer o registro imediatamente, a informação deveria aparecer em até D+5, conforme a proposta apresentada.
Para os técnicos de TI, a Caixa informou que o estudo de um novo piso salarial específico havia sido incorporado ao trabalho realizado pela Deloitte. O trabalho remoto também seria incluído nas discussões do GT Trajetória.
A instituição afirmou ainda que pretendia realizar reuniões específicas, com cronograma e prazo para conclusão dos debates. Outro ponto da proposta era o pagamento de um prêmio de R$3 mil por empregado, condicionado à superação do Índice de Eficiência Operacional de 2026.
Até esta quarta-feira (23), não havia uma data definida para o encerramento da greve. Segundo o sindicato, a mobilização continua enquanto os trabalhadores buscam avanços nas negociações para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho.
Os comandos de greve se reúnem diariamente, ao final da tarde, nas regionais para avaliar o movimento e organizar a mobilização do dia seguinte.