O jornalista exerce a função de assessoria de imprensa no Congresso Nacional, em Brasília (DF). E-mail:[email protected]
> O clima político em Brasília (DF) está tão tenso, tão tumultuado, que já é comparado ao dito popular de que “nem as vacas estão reconhecendo seus bezerros.” E mais confuso ficou esta semana com a substituição inesperada pela presidenta Dilma Rousseff dos seus líderes no Congresso Nacional: na Câmara, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) ficou no lugar de Cândido Vaccarezza (PT-SP) e, no Senado, o senador Eduardo Braga (PMDB-AM) assumiu a liderança ocupada por Romero Jucá (PMDB-RR). A cúpula do PMDB entendeu que esta mudança só aconteceu para diminuir a sua atuação na condução da agenda legislativa. E a confirmação da estratégia da presidenta de não querer que as duas Casas do Congresso sejam presididas, no biênio 2013/2014, por peemedebistas. Ela quer o PMDB no Senado e o PT na Câmara. Ela procura não ficar refém do PMDB justamente os dois últimos anos de seu governo. A indicação do senador Eduardo Braga para liderar o governo no Senado representa um afastamento proposital do Palácio do Planalto da forte influência que vinha sendo exercida pelo grupo José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá. Em represália à atitude da presidenta, o senador Renan Calheiros, como líder do PMDB, indicou o senador Romero Jucá para relator do Orçamento 2013, função que pertence à legenda. É grande, em todos os partidos da base aliada, a insatisfação ao tratamento que tem recebido da presidenta. Reclamam da demora nas nomeações de apadrinhados para cargos públicos, criticam o ritmo lento nas liberações das emendas parlamentares e o uso da máquina federal para beneficiar o PT nas eleições municipais de outubro.
Votações adiadas Por conta de todo fogo cruzado do embate entre Palácio do Planalto e partidos aliados, deixaram de serem votados, nesta semana, os projetos do Código Florestal e da Lei Geral da Copa. Se tivessem sido colocados em votação, certamente a presidenta Dilma amargaria mais duas derrotas no Congresso. Já há quem defende a ideia de deixar para depois da Conferência Rio+20, em junho próximo, a votação do Código Florestal. Não há consenso em torno de um texto que possa representar um denominador comum entre ambientalistas e ruralistas, e que agrade o governo. Em relação a Lei Geral da Copa, o nó maior é a liberação da venda de bebidas alcoólicas durante os jogos do megaevento esportivo. Esse é um compromisso assumido pelo então presidente Lula com a Fifa, em 2007, e a entidade não abre mão dessa medida, levando em conta que um dos seus maiores patrocinadores é a indústria cervejeira. A oposição à tal liberação é liderada pelos movimentos católicos e evangélicos, que têm uma elevada representação no plenário da Câmara.