COLUNA Cláudio Coletti - CPI já tem rumos

Costa Norte
Publicado em 05/05/2012, às 06h20 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h01

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 A CPI do Cachoeira realizou sua 1ª reunião de trabalho na quarta-feira (03), para traçar os rumos das investigações, que irão até 25 de outubro, data marcada para a votação do relatório final. Os delegados da Polícia Federal e procuradores que participaram da ‘Operação Monte Carlo’ serão os primeiros a depor.

A CPI tem pela frente o primeiro impasse: o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, rejeitou convite para que explique a suposta demora em pedir a abertura do inquérito contra o senador Demóstenes Torres, uma das peças-chaves do escândalo de corrupção. Ele alegou que o Código de Processo Penal proíbe integrante do Ministério Público seja testemunha no mesmo processo em que ele atua.

Demóstenes Torres e Cachoeira vão ser interrogados ainda neste mês: o bicheiro, no dia 15, e o senador, no dia 31. Os governadores de Brasília, Goiás e do Rio de Janeiro, citados como envolvidos em negócios com o contraventor goiano, deverão ser chamados a depor ao longo do andamento das investigações.

As investigações sobre a Delta Construções deverão ser estendidas a todo o país, já que ela executa obras do PAC em várias cidades.

O bicheiro Cachoeira já está sendo considerado um verdadeiro shopping, tamanha são as maracutaias que, supostamente, idealizou e nelas envolveu uma imensidão de agentes públicos, notadamente políticos, ligados a todos os partidos. Até um partido ele estava negociando para comprar. Cachoeira dispunha de oferta de malfeitos para todos os paladares.

Precauções de Dilma

A presidenta Dilma Rousseff, por seu lado, quer evitar que o governo fique parado pela contaminação do clima tenso criado pela crise da CPI. Decidiu elaborar uma agenda paralela positiva, com votações importantes no Congresso Nacional e a adoção de medidas de interesse imediato da população. Um dos pontos altos dessa agenda é o enfrentamento aos banqueiros pela redução dos juros. Nessa guerra, a presidenta pretende envolver toda sociedade brasileira.

A estratégia do Palácio do Planalto é agir nos bastidores para que o governo mantenha o controle sobre os rumos da CPI.

Código Florestal

A presidenta Dilma Rousseff já avisou que vai vetar vários itens do novo Código Florestal, aprovado pela Câmara dos Deputados, para impedir que produtores rurais deixem de recuperar parte das áreas desmatadas, sobretudo à margem de rios, e que sejam anistiados aqueles que desmataram ilegalmente até 2008. Vetará também a delegação para os estados o poder de legislar sobre desmatamento.

Com estes vetos, ela poderá chegar a Conferência Rio+20, prevista para junho, com respaldo para enfrentar possíveis hostilidades orquestradas por organizações ambientalistas.

Está descartado o veto total ao novo Código Florestal, como querem os ambientalistas. Para o Palácio do Planalto, os problemas se concentram na recuperação do passivo ambiental.

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