"Se esta barragem que é de baixo risco se rompeu imagina o perigo de uma barragem de alto risco"

Mais uma barragem, desta vez com rejeitos de lavra de ouro se rompeu. A Agência Nacional de Mineração (ANM) confirmou o rompimento que ocorreu nesta terça-feira, 1º, no município de Nossa Senhora do Livramento, a cerca de 40 quilômetros de Cuiabá, capital do Mato Grosso.
O fato foi tema do programa Opinião 2.0 desta quinta-feira, transmitido pela TV Costa Norte de segunda a sexta-feira, ao 12h. Diante da informação de que a barragem está inserida na Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), como estrutura de Dano Potencial Baixo e Categoria de Risco Baixa, o apresentador do programa Roberto Zaidan, questionou os critérios de classificação de risco adotados pela Agência Nacional de Mineração: "se esta barragem que é de baixo risco se rompeu imagina o perigo de rompimento de uma barragem de alto risco?".
O proprietário da barragem acidentada enviou Declaração de Condição de Estabilidade no último dia 25 de setembro para a ANM devidamente assinada por responsável técnico habilitado pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA/MT) e pelo dono da empresa.
Uma comunidade, conhecida como Brejal, ficou isolada sem energia e sem telefone. A barragem que rompeu tem altura de 15 metros e volume armazenado de 582,1 mil metros cúbicos de rejeito. Duas pessoas que trabalhavam no local foram levadas ao hospital e liberadas em seguida.
De acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso "drenagens, corpos hídricos ou áreas de preservação permanente (vegetação nativa)" não foram atingidas pelos rejeitos. Ainda de acordo com a secretaria a "lâmina de aproximadamente 10 centímetros percorreu apenas áreas já antropizadas, como pastagem ou de uso do próprio empreendimento".
Segundo informações da Agência Nacional de Mineração, a barragem TB01 está em nome do empresário Marcelo Massaru Takahashi. A denúncia do rompimento foi feita por volta das 9 horas da manhã pelos próprios moradores da região à ANM, que deslocou uma equipe ao local.
A ANM informou que “os técnicos, então, constataram o rompimento do dique e o espalhamento de parte do material que estava sendo armazenado na bacia de contenção da barragem. Pelo que foi possível observar, o material escoou por uma área que varia de 1 a 2 km, a partir do pé do talude onde ocorreu a ruptura do barramento”.