Espécie considerada uma das mais rápidas do oceano cruzou o caminho de uma embarcação durante passeio de avistamento de cetáceos

Um passeio de avistamento de cetáceos ganhou um visitante inesperado na tarde de terça-feira (21), no sul de Ilhabela, litoral norte de São Paulo. Por volta das 12h40, um tubarão-anequim (Isurus oxyrinchus) cruzou o caminho da embarcação, surpreendendo passageiros e equipe durante a navegação.
O registro foi feito pela equipe da Suriel Trips, empresa credenciada pela prefeitura de Ilhabela para atividades de turismo náutico voltadas à observação responsável de animais marinhos. Os passeios contam com acompanhamento de biólogas a bordo, garantindo segurança aos visitantes e respeito à fauna.
Embora o objetivo da saída fosse observar cetáceos, o encontro com o tubarão reforçou a diversidade de espécies que utilizam as águas do litoral norte paulista e mostrou que cada passeio pode proporcionar um contato diferente com a vida marinha.
Conhecido também como tubarão-mako, o tubarão-anequim pertence à família Lamnidae e é considerado um dos peixes mais rápidos do mundo. A espécie pode ultrapassar os 70km/h e utilizar essa velocidade para surpreender suas presas em ataques rápidos.
Seu corpo hidrodinâmico, com dorso azul-metálico e ventre branco, favorece esse tipo de caça. O predador costuma nadar abaixo das presas e realizar investidas verticais em direção à superfície, comportamento que explica os saltos para fora da água frequentemente registrados.
As fêmeas podem atingir mais de quatro metros de comprimento, enquanto os machos chegam a cerca de três metros.
O tubarão-anequim possui distribuição global e habita mares tropicais e temperados, incluindo a costa brasileira. Trata-se de uma espécie pelágica, ou seja, que vive principalmente em mar aberto, embora possa se aproximar da costa, especialmente em áreas próximas a ilhas e enseadas.
Segundo o biólogo especialista em tubarões e arraias Alexandre Rodrigues, esse tipo de ocorrência já foi registrado em águas costeiras brasileiras.
Em relação à ocorrência da espécie em águas costeiras, existem alguns registros e até casos de encalhes deles em praias."
Isso significa que, embora não seja um animal normalmente observado próximo às praias, seu aparecimento no litoral paulista faz parte da distribuição natural da espécie.
Apesar da imagem frequentemente associada aos tubarões, ataques envolvendo o tubarão-anequim são considerados pouco frequentes. A espécie vive predominantemente em águas oceânicas, e encontros com pessoas ocorrem durante atividades em alto-mar, como mergulho, pesca esportiva e navegação.
Sua alimentação é composta principalmente por peixes ósseos e cefalópodes, mas também pode incluir outros tubarões, tartarugas marinhas, aves e pequenos mamíferos marinhos.
Apesar de ser um dos principais predadores dos oceanos, o tubarão-anequim enfrenta diversas ameaças. A captura direcionada para consumo, a pesca acidental durante operações voltadas ao atum e ao espadarte, além do comércio internacional de barbatanas, contribuíram para a redução das populações da espécie em diferentes regiões do mundo.
Por causa da pressão exercida pela pesca e da exploração comercial, o tubarão-anequim é considerado uma espécie em perigo, reforçando a importância da conservação dos ambientes marinhos e do monitoramento da fauna oceânica.