COMPORTAMENTO ANIMAL

Registro raro mostra duas onças-pardas caçando em Santos

Registro foi feito em trecho de linha férrea cercado por Mata Atlântica; espécie ocorre naturalmente na região e costuma evitar contato com pessoas

Registro raro mostra duas onças-pardas caçando em Santos
Avistamento reforça a importância da conservação das áreas protegidas da região - Reprodução/Instagram/@guardiao.da.natureza


Um registro raro chamou a atenção de moradores e amantes da fauna, na segunda-feira (20). Imagens gravadas na área continental de Santos mostram duas onças-pardas durante o que aparenta ser uma tentativa de caça a um veado silvestre, próximo a uma linha férrea.

A cena, típica do comportamento natural da espécie, foi registrada em uma região que reúne extensos remanescentes de Mata Atlântica e áreas urbanizadas.

Além de impressionar pela raridade do flagrante, o registro evidencia que a área continental de Santos continua servindo de habitat para animais silvestres de grande porte. Cerca de 80% do território é formado por áreas de preservação permanente ou unidades de conservação, incluindo trechos do Parque Estadual da Serra do Mar.



Ao mesmo tempo, a região abriga núcleos urbanizados, como Caruara e Monte Cabrão, demonstrando a convivência entre áreas protegidas e ocupação humana.

A presença das onças-pardas reforça a importância da conservação desses ambientes, fundamentais para a manutenção da biodiversidade do litoral paulista e para o deslocamento seguro de diversas espécies da fauna silvestre.

Segundo maior felino das Américas

A onça-parda (Puma concolor), também conhecida como suçuarana ou puma , é o segundo maior felino das Américas, ficando atrás apenas da onça-pintada.



A espécie possui a maior distribuição geográfica entre os grandes felinos do continente, ocorrendo desde o Canadá até o Chile, incluindo todo o território brasileiro. Graças à sua capacidade de adaptação, pode viver em diferentes ambientes, como florestas, campos, áreas de cerrado e até regiões próximas a centros urbanos, desde que haja vegetação e disponibilidade de alimento.

Os adultos podem medir até 1,5 metro de comprimento, sem considerar a cauda, e pesar entre aproximadamente 50 e mais de 100 quilos, dependendo da região onde vivem. A pelagem varia entre tons de cinza-claro e marrom-avermelhado, enquanto os filhotes nascem com manchas pelo corpo, que desaparecem conforme crescem.

Caçadora discreta e essencial para o equilíbrio da natureza

A tentativa de capturar um veado silvestre registrada nas imagens faz parte do comportamento natural da onça-parda. Predadora de topo da cadeia alimentar, a espécie é exclusivamente carnívora e possui uma alimentação bastante diversificada.



Além de veados, pode caçar capivaras, tatus, aves, lagartos e outros animais de menor porte, adaptando sua dieta conforme a disponibilidade de presas no ambiente.

Com hábitos predominantemente crepusculares e noturnos, a onça-parda vive de forma solitária e costuma evitar o contato com seres humanos. Por isso, registros como o feito em Santos são considerados incomuns, apesar de a espécie ocorrer naturalmente na Mata Atlântica.

Ao controlar as populações de diferentes animais, o felino desempenha um papel fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas, contribuindo para a manutenção da biodiversidade.



Espécie enfrenta ameaças

Apesar da ampla distribuição pelo continente, a onça-parda enfrenta diversos desafios para sobreviver. Entre as principais ameaças estão a perda e a fragmentação do habitat, os atropelamentos e os conflitos com atividades humanas.

No Brasil, a espécie é classificada como vulnerável na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas do ICMBio. Já na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), seu status global é de pouco preocupante, embora especialistas alertem para o declínio de diversas populações ao longo de sua área de ocorrência.

Registro reforça importância da conservação

Embora avistamentos sejam considerados raros, a presença de onças-pardas na área continental de Santos não é inesperada. A região mantém uma das maiores extensões preservadas de Mata Atlântica do litoral paulista, conectada a importantes unidades de conservação, oferecendo abrigo e alimento para espécies de médio e grande porte.



Registros como esse ajudam pesquisadores e órgãos ambientais a acompanhar a fauna silvestre e reforçam a necessidade de preservar corredores ecológicos, essenciais para que os animais possam se deslocar entre áreas de floresta e reduzir o risco de conflitos com regiões urbanizadas.

Para mais conteúdos:

Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!