Gavião-asa-de-telha encontra nas cidades alimento abundante e locais elevados para observar as presas, o que favorece sua adaptação

Ver um gavião pousado no alto de um poste, de um prédio ou sobre uma árvore já não é uma cena incomum em diversas cidades brasileiras. Entre as espécies que mais têm chamado a atenção está o gavião-asa-de-telha (Parabuteo unicinctus), ave de rapina que vem ampliando sua presença em áreas urbanas graças à facilidade para encontrar alimento e locais estratégicos para caçar.
A espécie habita naturalmente regiões campestres, várzeas, manguezais, pastagens, áreas de cultivo, cerrado e caatinga. No entanto, também passou a ocupar periferias e centros urbanos, onde consegue encontrar presas suficientes para manter sua população.
Durante o quadro É Pet?, da TV Cultura Litoral, o veterinário Danilo Sato explicou que essa presença nas cidades representa uma adaptação da espécie às condições oferecidas pelo ambiente urbano, principalmente pela grande disponibilidade de alimento.
Pombos, pequenos roedores, lagartos e outras aves fazem parte da dieta do gavião-asa-de-telha, que também pode capturar pequenos mamíferos e até insetos de grande porte, conforme a disponibilidade de presas em cada região.
Outro fator que favorece essa adaptação é a oferta de pontos elevados para observação. Postes, árvores, torres e edifícios funcionam como verdadeiros mirantes naturais, permitindo que a ave identifique suas presas antes de iniciar a caça.
O gavião-asa-de-telha mede entre 48 e 56 centímetros de comprimento e possui envergadura que pode chegar a aproximadamente 1,15 metro. A plumagem é predominantemente castanho-escura, com penas castanho-avermelhadas nas asas e nas coxas, característica que originou seu nome popular. A extremidade da cauda apresenta coloração branca, enquanto as fêmeas costumam ser maiores que os machos.
Além da aparência marcante, a espécie se destaca pelo comportamento. Diferentemente da maioria das aves de rapina, que caçam sozinhas, o gavião-asa-de-telha pode formar grupos de até seis indivíduos para capturar presas maiores. Essa estratégia cooperativa permite dividir a captura entre os integrantes do grupo e é considerada uma das principais características da espécie.
Os especialistas também descrevem o asa-de-telha como uma ave bastante arisca, que normalmente evita a aproximação de pessoas.
Embora muitas pessoas se assustem ao encontrar um gavião próximo de casa, sua presença também exerce um importante papel ecológico. Como predador, ele ajuda a controlar populações de pombos, ratos e outros pequenos vertebrados que vivem nas cidades.
A ave costuma permanecer empoleirada por longos períodos observando o ambiente antes de iniciar a caça. Também pode ser vista sobrevoando áreas urbanas e aproveitando correntes de ar quente para localizar presas no solo.
Caso um gavião seja encontrado ferido ou sem condições de voar, a orientação é não tentar capturá-lo. O recomendado é acionar os órgãos ambientais responsáveis, como a Guarda Civil Ambiental ou a Polícia Militar Ambiental, que poderão realizar o resgate de forma segura.
Além de ser conhecida pela adaptação às cidades, a espécie também ganhou destaque pelo uso na falcoaria e em programas de manejo de fauna em aeroportos, onde auxilia no afugentamento de aves que podem representar risco para a aviação.