Segundo avistamento da espécie em pouco mais de uma semana despertou curiosidade e levantou dúvidas sobre o chamado ‘peixe do apocalipse’

Pouco mais de uma semana após chamar a atenção no litoral norte de São Paulo, o peixe-lua (Mola mola) voltou a ser avistado nas águas de Ilhabela. O novo registro, feito na terça-feira (4), despertou a curiosidade de quem acompanhou as imagens, mas também gerou uma confusão: muitas pessoas passaram a chamar o animal de 'peixe do apocalipse'.
Apesar da associação feita nas redes sociais, o peixe-lua não é a espécie conhecida por esse apelido. O nome popular é atribuído ao peixe-remo (Regalecus glesne), um animal completamente diferente, que vive em águas profundas e possui corpo extremamente longo e estreito.
A resposta é não. Embora ambos sejam animais marinhos de grandes dimensões e raramente sejam vistos próximos da costa, o peixe-lua e o peixe-remo pertencem a espécies distintas e apresentam características bastante diferentes.
O peixe-lua é considerado o maior peixe ósseo do planeta e pode ultrapassar duas toneladas. Seu corpo arredondado e achatado lateralmente, aliado às nadadeiras dorsal e anal bastante desenvolvidas, faz com que seja facilmente reconhecido quando aparece próximo à superfície do mar.
Já o peixe-remo tem formato alongado, semelhante a uma fita, podendo atingir vários metros de comprimento. A espécie vive em regiões oceânicas profundas e raramente é observada viva, o que contribuiu para o surgimento de lendas e crenças populares.

O peixe-remo ficou conhecido em diferentes países como 'peixe do fim do mundo' ou 'peixe do apocalipse' devido a uma antiga crença popular japonesa, segundo a qual sua aparição próxima à superfície poderia anteceder terremotos ou tsunamis.
No entanto, não existe comprovação científica de que a presença da espécie esteja relacionada à ocorrência de desastres naturais. Especialistas apontam que os registros próximos da costa podem estar associados a fatores como correntes marítimas, doenças, lesões ou mudanças nas condições do oceano.
No caso do peixe-lua, a presença próxima à superfície é um comportamento conhecido pelos pesquisadores.
A espécie costuma subir após mergulhos em águas mais profundas para regular a temperatura corporal e permitir que aves marinhas e pequenos peixes removam parasitas da pele, um processo conhecido como limpeza natural.
Apesar do porte impressionante, o peixe-lua tem comportamento pacífico, alimenta-se principalmente de águas-vivas e outros organismos gelatinosos e não representa risco às pessoas.