Desesperado após filho adolescente de 14 anos ser picado por cobra venenosa durante churrasco em chácara de Goiás, músico levou cobra durante resgate com o tinha por perto: uma panela de pressão

Ricardo Ambrósio, um músico de 35 anos, transportou uma jararaca viva em uma panela de pressão após o animal picar seu filho, Eduardo Andrade, um adolescente de 14 anos, durante um churrasco em uma chácara em Goiás. Com a jararaca na panela de pressão, o músico conseguiu auxílio da Polícia Rodoviária no socorro do filho. Socorrido, o adolescente permaneceu internado por sete dias em um hospital de Brasília e se recupera bem.
No último domingo (6), quando o adolescente já estava fora de perigo, o caso foi divulgado pelo biólogo, divulgador científico e especialista em herpetologia (anfíbios e répteis) Henrique Abrahão Charles, dono de um dos maiores canais dedicado às cobras do Youtube que leva seu nome e credencial o “Biólogo Henrique, o Biólogo das Cobras”.
“Acompanhei o caso desde o dia seguinte à picada”, disse o biólogo em uma vídeo-análise da situação de risco em que, além do comportamento da serpente, explica os riscos, erros e acertos do pai do garoto durante a emergência (assista abaixo).
Ricardo, que participa do vídeo, afirma que foi passar o domingo de Carnaval (27/02) com familiares e amigos em uma chácara em Goiás. Como o mato do lugar estava alto, disse o músico, ele contratou um serviço de capinagem no entorno da chácara que envolvia uma pequena queimada no mato cortado.
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Ele acredita que, indiretamente, esse fogo foi determinante na picada do filho. “Por a gente ter cortado esse mato e, na hora que a gente chegou, tocou fogo, eu creio que essa cobra estava lá, porque ela saiu com medo do fogo. Talvez se a gente não tivesse tocado fogo, ela teria ficado o feriado todinho lá no mato no lugar dela lá, mas era necessária a limpeza do ambiente onde a gente ia ficar”, explica Ricardo.
O músico relata que, posteriormente, já com a família se divertindo em um churrasco, a jararaca surgiu sem ser notada e, repentinamente, picou o tornozelo esquerdo de seu filho.
“A gente tirou uma lona que estava em cima de umas cadeiras que estavam embaixo de uma árvore e começamos a organizar ali o local. A gente começou a assar carne, tudo, ele [Eduardo] pegou um pedaço de carne e foi sentar na cadeira. Na hora que ele sentou, eu vi que ele falou assim ‘AAí!’, pegou na perna e já levantou. Ai eu falei ‘que que foi?’. Aí eu peguei, olhei por debaixo da cadeira e a cobra estava lá, já se afastando do local”, relembra o pai.
“Na hora eu não senti nada", relembra o adolescente. "Mas logo depois eu comecei a sentir um formigamento e uma dor, como se meu pé estivesse pegando quase fogo. Muito quente e ardendo também”.
“Ele [Ricardo] falou que tinha lona em cima das cadeiras”, investiga o biólogo. “Muito provavelmente a cobra estava debaixo dessa lona. Eles puxaram e nem viram. Porque não seria comum ela nessa agitação toda, estar ali. Muito provavelmente eles puxaram a lona, ela ficou abobada e foi por isso que ela picou. Ela estava ali meio que protegida, ele tira a lona, agita as cadeiras, quando ela consegue despertar, tem uma perna na frente dela, o que ela pensa: mordida. Ela se sente compelida e não só isso, pode ter sido expulsa também pelo fogo, isso é comum”.
O especialista em herpetologia explica as particularidades do animal que picou o adolescente. “Essa serpente é uma Bothrops moojeni, é da família das jararacas, e [a picada] vai ter os sintomas parecidos com a da jararaca. O veneno pode levar a óbito, necrose, pode causar um problema no sangue, uma coagulopatia. Então, assim, tem uma peçonha, muito, muito sinistra”.
Apesar do perigo, o biólogo das cobras pontua que também é preciso entender o lado do animal. “Eu volto a repetir que esses animais não são demônios. Eles sentem frio, fome, dor e medo. O tempo inteiro. Os animais na natureza não têm um pingo de sossego. Eles não podem nem dormir, porque, dormindo, podem ser devorados por outros”.
O músico relembra que, com o filho picado, tentou manter a calma e não permitiu que amigos matassem a serpente, pois acreditava que transportá-la viva poderia ajudar a salvar a vida do filho.
“Eu falei ‘nossa, foi uma cobra’. Ele [Eduardo] já ficou agoniado, a mãe dele também ficou muito agoniada na hora. Eu falei, ‘não, não pode [matar a cobra]’ porque eu vou levar a cobra. Falei pra ele [Eduardo] manter a calma. Falei pra minha esposa passar calma pra ele também”.
No desespero do resgate, a solução encontrada pelo músico para transportar a serpente foi aprisioná-la em uma panela. “Peguei ele [Eduardo], botei dentro do carro. Aí, o local que eu achei mais seguro pra gente transportar essa cobra foi uma panela de pressão. Coloquei a cobra dentro da panela e fechei a panela, pra ela não bater [escapar] dentro do carro”.
O biólogo comenta que o transporte da cobra tem seus riscos e há formas mais seguras de identificação. “Eu, particularmente, não recomendo levar a serpente. Eu recomendo você filmar e fotografar com uma distância segura para que não haja problema. Agora, se você vai levar o animal, aí tem que ser de uma forma muito segura como ele fez”.

Com o filho picado, a esposa desesperada e a cobra presa em uma panela de pressão, o músico saiu de carro em busca de resgate e se deparou com uma guarnição da Polícia Rodoviária Federal. “Prestaram um auxílio muito bom pra gente. Eu parei lá, pedi ajuda, eles pegaram meu filho, minha esposa, a panela com a cobra, colocaram dentro da viatura e levaram até o hospital mais próximo”.
O hospital a que o músico se refere é o hospital de Brasília, na Ceilândia, onde seu filho Eduardo foi medicado e permaneceu internado em tratamento por uma semana. O adolescente passa bem. A cobra de cerca de 60 centímetros, relatou o músico, foi entregue aos policiais que a destinaram a órgãos ambientais.
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