Homem conseguiu sair ileso após encontro com Jararacuçu em área florestal, mas correu risco, avalia biólogo e especialista em cobras. "venenosíssima. Se ela tivesse mordido, ele precisaria que alguém chegasse ali para socorrê-lo"

Ronaldo Gouvêa, um médico de 46 anos passou por momentos de desespero após pisar em uma jararacuçu e ficar encurralado em uma trilha no Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro (RJ).
O próprio médico registrou em vídeo seu desespero ao ficar preso entre a cobra e o caminho da trilha na tarde da última terça (22): “O pior é que eu tô totalmente preso aqui, não tem como eu voltar”, avalia Ronaldo em um trecho do vídeo, em que, imóvel, observa a serpente, também imóvel, em posição de alerta. Felizmente, Ronaldo conseguiu sair do local ileso.
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Três dias depois do encontro, nesta sexta (25), o biólogo, divulgador científico e especialista em herpetologia (anfíbios e répteis) Henrique Abrahão Charles divulgou uma vídeo-análise (assista abaixo) em que explica os riscos do encontro e a natureza da Jararacuçu (Bothrops jararacussu), além de conversar com o Ronaldo.
“O vídeo chegou até mim pelo próprio médico, que acompanha meu canal. Eu não o conhecia, e ele me mandou o vídeo para que eu identificasse se era peçonhenta, qual o risco que ele passou e como ele poderia se precaver “, explicou Henrique Abrahão ao Portal Costa Norte neste sábado.
O especialista mantém um dos canais de biologia mais populares do Youtube que leva seu nome e credencial o “Biólogo Henrique o Biólogo das Cobras”.
Nas imagens, após a exibição do angustiante encontro, o médico Ronaldo Gouvêa explica as circunstâncias em que acabou pisando sem querer na cobra e ficou preso.
“Eu já tinha visitado o mirante e estava naquele momento menos conectado da trilha, estava um pouco distraído. Eu tentei fazer um caminho um pouquinho mais curto pra voltar pra trilha original, mas esse caminho estava bloqueado por uma série de cipós. Tentei passar e não consegui", relembra o médico, que completa.
"Voltando desse ponto, é que eu percebi que pisei em alguma coisa que reagiu. A gente demora um pouco pra perceber o que está acontecendo, até porque essa cobra estava extremamente bem camuflada no solo”.
O Biólogo das Cobras afirma que a serpente é venenosa. “Super peçonhenta. E se ela tivesse mordido ele, com certeza ele teria ficado por lá mesmo, visto que pode ser um local um pouco mais afastado. Ele precisaria que alguém chegasse ali para socorrê-lo, porque ele não conseguiria andar direito, se ela, no caso, tivesse picado ele”.
O médico afirma que, apesar do susto, conseguiu criar um caminho em torno da cobra e sair ileso do trilha.
“Ela [cobra] ergueu a cabeça e ficou absolutamente imóvel e eu fiquei um pouco aguardando alguma reação mais inofensiva dela, que ela seguisse o caminho dela, mas realmente isso não acontecia. [Então] eu acabei optando por fazer aquele caminho bloqueado, criei a minha abertura ali, que eu não ia arriscar passar próximo, ou ao largo dessa cobra.”
Henrique Abrahão explica que o desespero do médico não é para menos. “Pisar numa cobra jararacuçu “gigante” é de apavorar qualquer um. Eu, particularmente, arrepiaria todos os meus fios de cabelo depois de ter pisado numa cobra daquele tamanho. Na mata é muito difícil de ver.”
Em trilhas na mata, explica o biólogo, é recomendável o uso de caneleiras. “[se picado] nada de fazer torniquete, nada de fazer corte. A única coisa que você tem que fazer é beber água e ir diretamente para o hospital”.
Encontrada na Bolívia, Brasil (Bahia e Mato Grosso até o Rio Grande do Sul), Paraguai e Argentina, a Jararacuçu possui camuflagem que dificulta o avistamento por olhos destreinados. Além de dor lancinante, o veneno da serpente pode provocar choque, incoagulabilidade sanguínea e, em casos mais graves, necrose, hemorragia externa e insuficiência renal.