Primavera marca a época reprodutiva dos gambás; filhotes passam semanas na bolsa da mãe antes de subirem para as costas dela

O flagrante de uma mãe gambá (saruê) carregando os filhotes nas costas, registrado recentemente em Cubatão, chamou a atenção de moradores e despertou a curiosidade sobre o comportamento da espécie. A cena faz parte do ciclo natural de reprodução desses mamíferos marsupiais.
Segundo a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, os gambás aparecem com mais frequência durante a primavera, período em que ocorre a reprodução da espécie.
Os gambás têm uma gestação bastante curta, que dura entre 11 e 12 dias. Os filhotes nascem ainda muito pequenos e pouco desenvolvidos e migram imediatamente para a bolsa ventral da mãe, conhecida como marsúpio, onde permanecem por cerca de 70 dias, alimentando-se exclusivamente de leite.
Depois desse período, os filhotes deixam a bolsa, mas continuam dependentes da mãe. É nessa fase que passam a ser vistos sobre as costas da fêmea, comportamento que permite acompanhar seus deslocamentos enquanto ainda aprendem a sobreviver na natureza.
De acordo com a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, uma fêmea pode dar à luz cerca de 21 filhotes por gestação. No entanto, como o número de mamas dentro da bolsa é limitado, apenas cerca de nove costumam sobreviver ao período de amamentação.
Segundo o Instituto Últimos Refúgios, depois de deixarem o marsúpio, os filhotes permanecem próximos da mãe até adquirirem independência, utilizando suas costas como forma de transporte durante essa etapa do desenvolvimento.
A aproximação desses animais das áreas urbanas também tem explicação. Segundo a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, a fragmentação das áreas de mata, a redução de predadores naturais e a grande capacidade de adaptação fazem com que os gambás sejam encontrados com frequência em bairros urbanos, onde procuram alimento e abrigo.
Por isso, durante a primavera e o verão, é mais comum que moradores encontrem fêmeas acompanhadas dos filhotes em quintais, telhados, jardins e outras áreas residenciais.
Especialistas orientam que a população não tente capturar, alimentar nem separar os filhotes da mãe. Na maioria das situações, o melhor é apenas manter distância e permitir que o animal siga seu caminho.
Caso o gambá esteja ferido ou em situação de risco, o ideal é acionar os órgãos ambientais responsáveis pelo atendimento à fauna silvestre.