Animal está na região e mobiliza operação de monitoramento; novo avistamento levanta dúvidas sobre a presença de outra baleia nas proximidades

Um filhote de baleia-jubarte continua mobilizando equipes de monitoramento no canal do porto de Santos. O animal foi avistado pela primeira vez na quarta-feira (17) e permanece na região, acompanhado por uma operação conduzida pela Polícia Militar Ambiental, Capitania dos Portos e outros órgãos envolvidos na proteção da fauna marinha.
No sábado (20), um grupo de turistas de São Paulo registrou novas imagens do cetáceo durante uma pescaria próxima à boia 8, nas proximidades do terminal de combustíveis da Petrobras. Nas gravações, o animal aparece saltando e batendo as nadadeiras na água.
O representante comercial Carlos Alberto Locatelli contou que estava acompanhado de amigos e de um guia de pesca quando percebeu uma movimentação incomum na água.
“Quando voltamos para esse ponto para tentar pegar alguns robalinhos, percebemos um rebojo muito grande. O guia logo falou: 'É baleia'. Pouco depois ela passou bem perto da embarcação e começou a saltar”, relatou.
As imagens repercutiram entre especialistas e autoridades que acompanham o caso. Ainda não há confirmação se o animal filmado é o mesmo filhote monitorado desde a semana passada.
Ao analisar o vídeo, o capitão Herman Júnior, dos Grupos Mayday e Portal Náutico iNavigate, explicou que existe a possibilidade de haver mais de uma baleia circulando pela região. “Vi o vídeo desse avistamento próximo a Santos, mas não sabemos ainda se se trata da mesma baleia. Pode ser a mãe procurando o filhote, ou outro membro de um mesmo grupo ao ouvir sons que repercutem muito bem pela água”, afirmou.
Segundo ele, a confirmação de que o filhote conseguiu deixar o canal só será possível quando o animal deixar de ser avistado na superfície para respirar. “A Polícia Militar Ambiental vai me posicionar sobre o assunto, mas até o momento não tenho confirmação”, acrescentou.
Desde que entrou no canal do porto de Santos, a baleia vem sendo acompanhada pelas equipes responsáveis. O principal desafio é localizar o animal, que pode permanecer submerso por até 20 minutos e reaparecer em pontos completamente diferentes da região.
A Capitania dos Portos determinou a redução da velocidade das embarcações que transitam pelo canal, mas o intenso movimento marítimo continua sendo uma preocupação para os especialistas.
Além do risco de colisões, a baleia enfrenta um ambiente muito diferente daquele encontrado em mar aberto. O canal apresenta grande circulação de navios, ruídos constantes, água mais turva e estruturas submersas que podem dificultar a orientação do animal.
Outro fator que preocupa é a escassez de alimento disponível na região. “Uma corrida contra o tempo de fato”, alertou Herman Júnior. Segundo ele, quanto mais tempo o cetáceo permanecer no estuário, maiores podem ser os efeitos do estresse, da desorientação e do desgaste energético provocado pela busca por alimento e pela necessidade constante de navegação em uma área inadequada para a espécie.
As equipes da Polícia Militar Ambiental seguem monitorando a movimentação do animal, para garantir que ele encontre o caminho de volta ao oceano. Até o momento, a baleia continua ativa e observada pelas autoridades.
A orientação para moradores, pescadores e navegadores é manter distância segura caso avistem o animal e comunicar imediatamente os órgãos responsáveis, evitando qualquer tentativa de aproximação ou interação.