INUSITADO

Falsa coral troca árvore por areia para 'tomar Sol' na praia de Itaguaré

Espécie com hábito de viver em árvores surpreendeu ao ser vista na praia; animal usa cores fortes para parecer perigoso, mas não possui veneno

Falsa coral troca árvore por areia para 'tomar sol' na praia de Itaguaré
Siphlophis pulcher possui coloração exuberante que imita a cobra coral verdadeira - Daniel Nicodemo Donadio


A praia de Itaguaré, área preservada dentro do Parque Estadual Restinga de Bertioga (Perb), serviu de palco para um encontro raro na manhã de quinta-feira (9). Uma falsa coral, aparentemente da espécie Siphlophis pulcher, com hábito de viver em árvores, foi encontrada na faixa de areia da orla.

O flagrante é do biólogo marinho Daniel Nicodemo Donadio, que caminhava na praia com um amigo, para observar aves limícolas, econtradas na costa, quando avistou o réptil. O bicho repousava na área exata do limite da maré, conforme contou ao portal Costa Norte.

"Estava numa zona de areia acinzentada, que deu para ver que foi onde a última maré cheia passou. A areia estava lisinha", detalha Daniel.



Foto: Daniel Nicodemo Donadio
Foto: Daniel Nicodemo Donadio

A cobra não possui veneno e pertence ao grupo dos colubrídeos. O biólogo explica que a coloração vibrante funciona como uma tática de defesa para o animal.

O padrão de coloração engana, faz parecer perigosa. É associado a um mimetismo", afirma.

Espanto e raridade

O encontro foge da rotina da espécie. "Ela tem hábito arborícola, então, não é comum ver essa espécie, em específico, no chão", explica Daniel. Ele aponta que o réptil desce à areia da praia, de forma rara, para tomar Sol e aumentar o metabolismo, o que facilita a digestão após a ingestão de alguma presa.



O registro fotográfico impressionou pelo caráter inusitado do encontro.

Segurança

Apesar de a praia de Itaguaré ser reservada, ela é aberta a visitação, e o trecho de areia dura atrai pessoas de bicicleta, o que gerou risco iminente para a falsa coral.

"Como a cobra é um bicho que tem muito mito em cima, eu não duvido que alguém tentasse passar com o pneu da bicicleta de maldade", pontua Daniel.



Para proteger o animal, a dupla de observadores improvisou a retirada. "A gente utilizou um 'gravetão' para conter o animal, como se fosse um gancho herpetológico, para manusear serpente, e o encaminhamos mais para a borda da vegetação da restinga", conta o biólogo. 

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