AVANÇO NA MEDICINA

De jararaca a lagarto: como animais ajudam a criar remédios famosos

No quadro É Pet, o veterinário Danilo Sato explica a contribuição da jararaca, do cavalo e do monstro-de-gila para a medicina


Redação
Publicado em 29/06/2026, às 16h45

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De jararaca a lagarto: como animais ajudam a criar remédios famosos
Estudos com veneno da jararaca e a saliva do monstro-de-gila revolucionaram tratamentos - Pixabay/Pexels


Muitos dos medicamentos utilizados no cotidiano, para o tratamento de doenças graves, existem graças a compostos descobertos no reino animal.

O veterinário e apresentador Danilo Sato, do quadro É Pet?, da TV Cultura Litoral, explicou o conceito da 'medicina animal na vida humana', detalhando como toxinas, saliva e o sangue de diferentes espécies serviram de base para o desenvolvimento de remédios consagrados na farmácia moderna.

A pesquisa científica com animais permite isolar moléculas específicas que, após modificações em laboratório, transformam-se em terapias seguras para os seres humanos.



Jararaca e o controle da pressão alta

Um dos exemplos mais clássicos da farmacologia mundial é o Captopril, um dos remédios mais importantes da história da cardiologia, utilizado diariamente por milhões de pessoas para o controle da hipertensão arterial. A origem do medicamento está diretamente ligada à fauna brasileira:

  • A descoberta: entre as décadas de 1960 e 1970, pesquisadores observaram que as vítimas de picadas de jararaca apresentavam uma queda drástica na pressão sanguínea;
  • O desenvolvimento: cientistas isolaram a molécula responsável por esse efeito no veneno da serpente e a utilizaram como modelo químico para sintetizar o remédio em larga escala.

Cavalos e a produção de soros antiofídicos

Outra contribuição animal vital ocorre na produção dos soros utilizados para neutralizar picadas de cobras peçonhentas. Esse processo depende diretamente do sistema imunológico dos cavalos.

Para obter o tratamento, os cientistas inoculam pequenas doses controladas de veneno no cavalo. O organismo do grande mamífero reage sem sofrer danos e passa a produzir uma grande quantidade de anticorpos. Posteriormente, por meio da coleta do plasma sanguíneo do animal, os anticorpos são extraídos e purificados, gerando o soro específico para salvar vidas humanas.



Sanguessugas e o anticoagulante

As sanguessugas também desempenham um papel relevante na medicina hospitalar. A saliva desses animais possui uma poderosa substância anticoagulante natural.

Atualmente, essa propriedade é aproveitada em centros cirúrgicos durante procedimentos de pós-operatório que envolvem enxertos e retalhos de pele. A substância ajuda a manter o tecido doador vivo e irrigado. Além do uso do princípio ativo isolado, a aplicação dos próprios animais diretamente sobre a ferida cirúrgica ainda é uma prática adotada para estimular o fluxo sanguíneo local e evitar a necrose.

Monstro-de-gila e as canetas emagrecedoras

A mais recente revolução farmacêutica associada ao reino animal envolve o monstro-de-gila, um lagarto típico de regiões desérticas da América do Norte. O réptil forneceu a chave para a criação das famosas 'canetinhas emagrecedoras' e tratamentos modernos para o metabolismo.



Pesquisadores descobriram que a saliva do lagarto contém uma molécula muito parecida com o hormônio humano que controla os níveis de açúcar no sangue. A partir desse achado, a ciência desenvolveu medicamentos inovadores que mimetizam essa ação, atuando de forma eficiente tanto no controle do diabetes quanto no tratamento da obesidade.

O veterinário Danilo Sato ressalta a importância de proteger a biodiversidade para garantir novas descobertas científicas:

Muitos outros animais contribuem e contribuíram para a saúde humana, por isso, a preservação e a ciência são muito importantes para nós."

*Com informações do apresentador e veterinário Danilo Sato, para o quadro É Pet?, da TV Cultura Litoral.



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