Morte de labrador que se preparava para ser cão-guia chama atenção para os perigos da espécie ornamental presente em muitos jardins

A morte do labrador Atlas, de 1 ano, após ingerir a semente de uma cica durante um passeio em condomínio de Sorocaba, interior de São Paulo, acendeu alerta para um risco desconhecido por muitos tutores.
Prestes a iniciar o treinamento para se tornar um cão-guia, o animal não resistiu à intoxicação provocada pela planta ornamental, considerada uma das mais perigosas para cães e gatos.
Comum em jardins, condomínios, praças e áreas de paisagismo, a cica, também conhecida como palmeira-sagu (Cycas revoluta), costuma ser escolhida pela resistência e pelo aspecto ornamental.
O que muitos não sabem é que todas as partes da planta são tóxicas para os animais de estimação, principalmente as sementes e as raízes, que concentram maior quantidade de substâncias capazes de provocar lesões graves no organismo.
Segundo informações da Escola de Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Goiás (UFG), a intoxicação por cica pode atingir diferentes espécies de animais, mas os cães estão entre as principais vítimas. Estudos citados pela instituição apontam que cerca de 95% dos cães que ingerem partes da planta desenvolvem alterações no fígado e no trato gastrointestinal.
Embora seja bastante utilizada no paisagismo, a cica representa um risco significativo para cães e gatos. As toxinas presentes na planta afetam principalmente o fígado, mas também podem comprometer o sistema digestivo e o sistema nervoso.
Mesmo uma pequena quantidade ingerida pode provocar intoxicação. Em casos mais graves, as lesões hepáticas podem evoluir rapidamente e colocar a vida do animal em risco.
Os primeiros sinais costumam surgir poucas horas após a ingestão da planta. Entre os sintomas mais comuns estão:
Nos casos mais graves, a intoxicação pode provocar insuficiência hepática, alterações na coagulação do sangue, coma e levar o animal à morte.
De acordo com estudos reunidos pela UFG, mesmo quando o pet recebe atendimento veterinário, a taxa de mortalidade descrita na literatura varia entre 30% e 50%, dependendo da gravidade do quadro e da quantidade de toxina ingerida.
Grande parte dos casos registrados envolve animais jovens. Segundo pesquisadores, filhotes costumam explorar o ambiente utilizando a boca e apresentam maior tendência a mastigar folhas, sementes e outros objetos durante a fase de troca da dentição.
Foi justamente esse comportamento natural que contribuiu para o acidente envolvendo Atlas. Durante um passeio pelo condomínio, o labrador encontrou uma semente de cica caída no chão e a ingeriu. Em menos de uma hora, começaram os primeiros sintomas de intoxicação.
O cachorro foi levado para um hospital veterinário, onde passou por lavagem gástrica e permaneceu internado por cerca de dez dias. Apesar dos esforços da equipe médica, ele não resistiu às complicações causadas pela planta.
Ao suspeitar que um cão ou gato ingeriu qualquer parte da cica, a recomendação é procurar atendimento veterinário imediatamente. Quanto mais rápido o animal receber assistência, maiores são as chances de reduzir os danos causados pelas toxinas.
Também é importante, se possível, levar uma foto da planta ou uma amostra para auxiliar na identificação da espécie. Especialistas orientam que o tutor não tente provocar vômito nem ofereça medicamentos por conta própria, já que essas medidas podem agravar o quadro.
A melhor forma de evitar intoxicações é conhecer as plantas presentes em casa e nos locais frequentados pelos animais. Jardins, quintais e áreas comuns de condomínios podem abrigar espécies potencialmente perigosas sem qualquer tipo de identificação.
Especialistas recomendam retirar plantas tóxicas de ambientes onde vivem cães e gatos ou impedir o acesso dos animais a essas espécies. Outra orientação é recolher sementes e folhas caídas no chão e redobrar a atenção durante os passeios.