Organismos de sete espécies originárias da Indonésia passam por processo de aclimatação, após apresentarem sinais de estresse durante o transporte
Redação
Publicado em 16/10/2026, às 08h39

O Aquário de Ubatuba, no litoral de SP, recebeu 260 corais de origem indonésia, apreendidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Os organismos, pertencentes a sete espécies do Oceano Pacífico, estão sob os cuidados da equipe técnica da instituição, que monitora as condições de saúde e adaptação dos exemplares.
Durante a avaliação inicial, aproximadamente 90% dos corais apresentaram retração dos pólipos, estruturas responsáveis pela alimentação e por outras funções essenciais desses organismos.
Segundo as informações divulgadas, a reação está associada ao estresse provocado pelo transporte, pelo manuseio e pela interrupção do ciclo de iluminação natural.
Para favorecer a recuperação, os exemplares foram encaminhados a tanques específicos, onde passam por um processo controlado de aclimatação.
Nessa etapa, os profissionais ajustam gradualmente parâmetros como oxigenação, circulação da água e iluminação, buscando proporcionar condições adequadas à adaptação dos organismos ao novo ambiente.
Os 260 exemplares apreendidos pertencem a sete espécies ornamentais.
A maior quantidade corresponde à Euphyllia glabrescens, com 60 indivíduos, seguida pela Goniopora stokesi, com 50, e pela Euphyllia ancora, com 45.
O lote também inclui 40 exemplares de Euphyllia cristata, 25 de Blastomussa wellsi, 25 de Lobophyllia corymbosa e 15 de Physogyra lichtensteini.
A diversidade de espécies reforça a importância do acompanhamento técnico, já que cada organismo pode apresentar necessidades específicas de manutenção e adaptação em ambiente controlado.
O caso também chama a atenção para os impactos do comércio ilegal de espécies marinhas destinadas ao mercado de aquariofilia.
A retirada de organismos de seus habitats sem comprovação de origem legal, associada a condições inadequadas de transporte, pode comprometer a sobrevivência dos exemplares e contribuir para a pressão sobre as populações naturais.
Outro fator que exige atenção é a origem estrangeira dos corais.
Por serem espécies exóticas em relação à fauna marinha brasileira, a eventual introdução desses organismos no ambiente natural poderia representar riscos ecológicos, dependendo das condições de estabelecimento e dos impactos sobre as espécies locais.
Por esse motivo, os exemplares não serão devolvidos ao oceano.
A manutenção em ambiente controlado permite que os animais recebam os cuidados necessários, sem o risco de introdução de espécies não nativas no litoral brasileiro.
Após a conclusão da etapa de aclimatação e a estabilização das condições dos organismos, a previsão é que os corais passem a integrar o plantel permanente do Aquário de Ubatuba.
A iniciativa poderá contribuir para atividades de educação ambiental, aproximando o público das questões relacionadas à conservação dos ecossistemas marinhos e aos efeitos do tráfico de animais silvestres.
Também existe a possibilidade de que parte dos exemplares seja transferida para outras instituições credenciadas no país, conforme as necessidades de manejo e as condições técnicas disponíveis.
Enquanto isso, os 260 corais permanecem sob acompanhamento especializado, em um processo que busca favorecer sua recuperação e garantir uma destinação adequada aos organismos apreendidos.