LEVANTAMENTO

Financiamento de caminhões cresce 8,1% até julho, puxado pelos seminovos

Busca por seminovos cresce 10,6%, enquanto empresas dizem priorizar eficiência e preservação do caixa na renovação da frota


Redação
Publicado em 14/09/2026, às 10h37

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Foram contabilizadas 156.035 operações de crédito, somando veículos novos e usados - Divulgação/Servopa Caminhões


O mercado de financiamento de caminhões registrou crescimento de 8,1% entre janeiro e julho de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da B3.

Foram contabilizadas 156.035 operações de crédito, somando veículos novos e usados. 

O avanço, porém, não ocorreu de forma uniforme no setor. Os caminhões usados puxaram a expansão ao registrar 87.939 financiamentos, o que representa alta de 10,6% frente aos mesmos meses de 2025.

Já o segmento de veículos novos teve um crescimento mais modesto, de 4,9%, atingindo 68.096 operações de crédito no período.

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Um dos motivos da Anfavea revisar número de financiamentos são condições menos favoráveis ao agro - Reprodução/Servopa Caminhões

Esse movimento de expansão ocorre em um mercado que enfrenta desafios relevantes. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) reduziu, em julho, sua projeção de licenciamentos de caminhões para 2026, que passou a ser de 106,7 mil unidades no ano.



Entre os fatores apontados pela entidade para a revisão da estimativa estão os juros elevados, as condições menos favoráveis para o agronegócio e os custos ainda pressionados no setor.

Na avaliação do gerente de marcas da Servopa Caminhões, Luis Spezia, esse ambiente leva o cliente a analisar a compra com mais cautela e a considerar diferentes aspectos da operação.

Estamos vendo um cliente mais racional e mais atento ao custo da operação. Ele não olha apenas para o valor do caminhão ou para a parcela do financiamento, mas também para fatores como produtividade, consumo, manutenção e disponibilidade. Quando essa conta fecha, mesmo em um cenário de juros altos, a renovação da frota deixa de ser adiada e passa a ser vista como investimento”, afirma.

Para transportadoras e empresas que dependem de veículos pesados, essa avaliação se torna ainda mais relevante diante da necessidade de equilibrar a renovação da frota com a preservação do caixa.



Nesse contexto, o financiamento permite substituir modelos mais antigos sem exigir o desembolso de todo o valor de uma só vez.

“Para uma empresa, a decisão de renovar um caminhão passa por uma análise que vai muito além da parcela. É preciso colocar na conta o consumo de combustível, os custos de manutenção, o tempo que o veículo fica parado e a produtividade que ele consegue entregar. Por isso, o financiamento pode ser uma ferramenta importante para antecipar essa troca quando o ganho de eficiência compensa o custo do investimento”, explica Spezia.

A diferença no ritmo de crescimento entre caminhões novos e usados evidencia o espaço dos seminovos entre as opções disponíveis às empresas.



“O seminovo pode ser uma alternativa interessante principalmente para empresas que precisam equilibrar renovação e capacidade de investimento. Em muitos casos, é possível substituir um veículo mais antigo por outro mais eficiente sem assumir o mesmo nível de investimento exigido para a aquisição de um caminhão zero-quilômetro”, destaca o executivo.

Para as empresas, o cenário reforça a importância de considerar os impactos financeiros e operacionais antes de optar pela troca dos veículos.

A renovação da frota é uma decisão de negócio. Quando a empresa consegue colocar na conta o investimento, o custo financeiro e os ganhos de eficiência que o novo veículo pode proporcionar, ela passa a ter mais elementos para avaliar se é o momento de fazer essa mudança”, finaliza Spezia.

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